Em seu mais novo documentário, O Tempo e o Lugar, o cineasta Eduardo Escorel (35 – O Assalto ao Poder) volta a falar do relacionamento entre a esfera pública e a privada, tendo como foco questões políticas. No seu longa anterior Vocação do Poder, de 2005, o documentarista mostrava alguns candidatos praticamente anônimos e sua batalha para ganhar as eleições para vereador.Em O Tempo e o Lugar, ele volta a sua câmera para Genivaldo Vieira da Silva, agricultor da região semiárida do estado de Alagoas. O personagem tem uma trajetória política que poderia ser igual à de muitos de seus conterrâneos, mas é bem peculiar.
Escorel conheceu Genivaldo em meados da década de 1990, quando o documentarista dirigia o programa Gente Que Faz, que era patrocinado por um banco e exibido na televisão aberta. O agricultor foi o protagonista de um desses filmes. Na época, o cineasta também produziu um cassete de áudio no qual Genivaldo contava a sua vida. Quase uma década depois, Escorel voltou à cidade, para fazer um filme de ficção sobre a sua vida. Só mais tarde resolveu que a trajetória do personagem renderia um documentário.
O Tempo e o Lugar é o resultado desses mais de dez anos de contato entre Genivaldo e Escorel. O personagem se destaca por diversos motivos, principalmente sua militância política – foi candidato derrotado à prefeitura de Inhapi pelo PT em 2000 também líder do Movimento Sem-Terra. Agora longe de partidos políticos, movimentos ou outras instituições, ele não abandonou a militância social.
Embora, quando jovem, tenha emigrado para a Bahia, onde trabalhou num pólo petroquímico, Genivaldo não se adaptou a essa nova realidade e voltou para sua cidade natal. Mais tarde, ligado à Igreja Católica, realizou diversos serviços, como construir casas, fossas e até ajudar na missa e oficializar casamentos.
Atualmente, Genivaldo faz um trabalho à margem da política institucional numa central que articula o trabalho das associações de pequenos agricultores do Alagoas. E, por isso, ele diz que atualmente luta por uma causa que é sua, e que antes lutava pela causa dos outros.
Ao longo de O Tempo e o Lugar é como se Escorel estivesse contrapondo as duas imagens de Genivaldo: aquela do filme publicitário – mais idealizada, quase irreal – e esta do personagem verdadeiro, que realmente é o homem que acumula várias realizações
