Quando os órfãos Pedro (William Moseley), Susana (Anna Popplewell), Edmundo (Skandar Keynes) e Lucy (Georgie Henley) são chamados de volta a Nárnia, percebem que a Idade de Ouro do fantástico reino acabou. Embora tenha passado apenas um ano desde o final da primeira parte da história (Crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa), em tempo narniano foram mais de 1.300.
Ao chegarem, os irmãos encontram um reino destruído, cujos habitantes se escondem na floresta. Eles foram massacrados pelo povo telmarino, que lembram – pelo sotaque, figurino e desfaçatez – os conquistadores espanhóis que barbarizaram os índios do novo continente.
Quem comanda os telmarinos é o vilão Miraz (o excelente ator italiano Sergio Castellitto) que, para ser coroado rei, manda matar o herdeiro legítimo ao trono, o príncipe Caspian do título. Será na fuga de seus algozes que o rapaz conhecerá os habitantes de Nárnia e os irmãos Pavensie.
Quando descobre que Caspian está se unindo aos narnianos para reaver seu direito ao trono, Miraz se lança em uma empreitada para destruir qualquer resquício da terra encantada. Cabe, então, a Peter e ao príncipe resolverem suas aparentes rivalidades para salvar Nárnia de sua extinção.
Para contar essa história, o diretor e roteirista Andrew Adamson (Shrek) conta com uma excelente produção. Com efeitos especiais impecáveis e um elenco vigoroso, consegue montar um filme de entretenimento de qualidade, que dialoga também com os adultos que levarão seus filhos para assistir à exibição.
Não há como negar também que há muitas semelhanças com a série Senhor dos Anéis – alguns críticos chegaram a dizer que Crônicas de Nárnia não passava de Tolkien para crianças. Com cenas de luta sanguinárias, ficam mais evidentes as possíveis comparações, principalmente quando um rio transforma-se num colosso e carrega os malfeitores.
Seja como for, é clara a imagem mais pessimista impressa em Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian. Apesar de que nas lutas entre o bem e o mal a vitória invariavelmente pende para os nobres e honestos, Nárnia acorda em um novo tempo. Em uma das cenas, um personagem é confrontado: ou é tolerante com o diferente, ou vai embora. Sem titubear, ele faz as malas e deixa claro que prefere o desconhecido.
