A diretora e roteirista é Danielle Arbid, uma libanesa radicada na França que parece se dividir autobiograficamente nos dois personagens. Saleh não se lembra muito bem de seu passado – ou tenta esquecê-lo –, pois há um grande trauma que o consome e faz com que fique vagando pelo oriente. Koré saiu da França depois de ouvir versos de um poeta árabe sobre as mulheres do Oriente Médio.
Em suas andanças por países como Líbano e Síria, ele encontra diversas moças que se tornam modelos para sua fotos, cujo estilo transita entre o sensual e o grotesco. Ele não é artista. As fotos que ele tira são para si mesmo – talvez em busca de algum ideal de beleza e perfeição feminina.
Saleh é seu tradutor e o observa de longe – mas eventualmente se envolve nesses ensaios, que podem terminar numa relação sexual. O mundo oriental é inóspito a pessoas como Koré e várias vezes ele tem problemas com as autoridades.
Sempre curioso, o fotógrafo francês começa a perguntar sobre a identidade de Saleh e o que o atormenta tanto. O árabe não se abre facilmente, mas aos poucos deixa algumas pistas sobre seu passado.
O filme de Arbid muitas vezes se perde em seus floreios visuais e divagações filosóficas deixando de lado uma narrativa mais consistente, como pedia a história que ela quer contar. Os personagens são incapazes de despertar maior interesse. Por isso, quando a resolução chega, já não interessa muito – além de ser pouco plausível.
Com fotografia assinada por Céline Bozon (Transilvânia), Um Homem Perdido confia demais no poder de suas imagens – sejam de natureza ou corpos femininos – para dar conta do filme todo. Assim, o drama dos amigos-estranhos Saleh e Koré fica, muitas vezes, em segundo plano e insuficientemente desenvolvido.
