O documentário 1958 – O Ano em que o Mundo Descobriu o Brasil esboça as razões pelas quais o brasileiro, no fim, pode tornar-se fanático pelo país. Pela pátria de chuteiras, pelo som uníssono do gol, ou mesmo pela vitória suspeita. Tudo é Brasil.
Por isso, o diretor José Carlos Asbeg faz mais do que retratar uma seleção que saiu do País desacreditada, depreciada por boa parte de brasileiros e massacrada pela imprensa. Ele entende que, apesar de ter perdido, de forma humilhante, a Copa de 1950 para o Uruguai - a primeira Copa do Mundo realizada depois da Segunda Guerra, em pleno Maracanã.- 1958 foi o ano em que o Brasil não foi apenas futebol.
Nas imagens deste documentário, é possível ver o rosto impaciente do então presidente Juscelino Kubitschek, tanto como ouvir os torpedos verbais de Nelson Rodrigues (cronista de futebol, na época). Eles traduziram o que parecia óbvio: mais do que vencer um campeonato, o país precisava de ídolos e de uma idéia de nação.
Na prática, a primeira conquista da taça Jules Rimet ajudou a reforçar o clima já positivo que tomava conta do Brasil. E Asbeg capta isso nas impressões de Paulo Machado de Carvalho, Djalma Santos, Didi, Garrincha, entre outras figuras importantes das equipes derrotadas pela campanha brasileira naquele ano. Surpreendentemente, não há entrevista com Pelé, a sensação do time revelada justamente naquela copa.
Com uma destreza de atacante, Asbeg faz um filme para todos esses brasileiros que não gostam de futebol. Bem editado e com uma trilha sonora incidental impecável, o diretor faz um filme para todos. Combina ao mesmo tempo humor e precisão jornalística. Em meio à vitória brasileira na Copa de 1958, há espaço para torcer, lembrar, impressionar e, sem dúvida, gostar mais do Brasil.
