18/07/2026
Documentário

Personal Che

Che Guevara é um mito apropriado para as mais diversas leituras, desde santo, protagonista de um musical no Oriente Médio e ídolo até de neo-nazistas. Este documentário investiga a figura do guerrilheiro e suas mais diversas interpretações.

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Ernesto ‘Che’ Guevara é uma figura tão emblemática do século XX, que a sua imagem – aquela baseada numa foto famosa de Alberto Korda, tirada na década de 1960 – transcende a sua ideologia. Na verdade, a idéia que as pessoas fazem do guerrilheiro vem se mostrando tão maleável que seu culto se adapta a qualquer grupo – desde políticos chineses a neonazistas alemães.

Este documentário investiga pelo mundo afora as diversas representações e leituras feitas sobre o guerrilheiro – enfim, é a busca pelo mito de cada um.

“Todo mundo pode interpretá-lo como quiser”, afirma, no começo do filme, John Lee Anderson, biógrafo do guerrilheiro argentino, autor de “Che Guevara: Uma Biografia”. “Ele simboliza o desejo de mudar o mundo”, conclui, comparando-o a Jesus Cristo e Robin Hood.

Àqueles que pensam que Lee Anderson pode estar exagerando, o que segue em Personal Che mostra que não. O documentário vai além das camisetas estampadas que desfilam pelas ruas do mundo todo, pesquisando as mais diversas idéias que as pessoas fazem do argentino.

Na Bolívia, na região onde foi executado por militares em 1967, ele é considerado por muitos como um santo, São Che. Pessoas oram por ele pedindo graças e acendem velas para agradecer supostos milagres. Em Cuba, um taxista veste seus filhos com a farda igual à do Che e se emociona ao ver, pela primeira vez a imagem do guerrilheiro morto numa revista.

Che mostra-se capaz de gerar amor e ódio nas mesmas proporções, resultando em debates calorosos em plena rua, por parte de exilados cubanos contra um salvadorenho que coleciona souvenirs relacionados a Guevara. O líder argentino também divide os intelectuais, como Jorge Castañeda, Paul Berman, David Kunzle e Christopher Hitchens.

A grande qualidade do documentário, dirigido pelo brasileiro Douglas Duarte e a colombiana Adriana Mariño, é levantar um debate e não se preocupar em desvendar Che Guevara – que já foi objeto de várias obras, como Diários de Motocicleta, do brasileiro Walter Salles, e de uma longa cinebiografia, Che, dirigida por Steven Soderbergh, que rendeu a Benicio Del Toro o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes 2008.

O que o filme nunca propõe é desmistificar a figura de Che. Pelo contrário, os diretores trabalham questionando as imagens conhecidas e introduzindo algumas novas – como um musical libanês que conta a vida do guerrilheiro, ou um político de Hong Kong que só usa camiseta com a foto de Korda, entre outros –, ampliando o leque da discussão.

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