A Última Amante é baseado num livro de 1851, de Jules Barbey d'Aurevilly. O fato de ser um filme de época aparentemente torna-o mais denso do que os outros da diretora, que muitas vezes parecem excessivamente estilizados sem alcançar profundidade.
Um letreiro inicial informa que a ação se passa em ‘1835, o século de Pierre Choderlos de Laclos’. Ou seja, o autor de As Relações Perigosas, um livro (que também rendeu várias adaptações - a mais famosa de 1988, dirigida por Stephen Frears) sobre joguinhos sexuais de uma nobreza ociosa, que de tão ensimesmada não viu a ascensão da burguesia, que tirou os nobres do poder. Aqui, Breillat, no entanto, não trabalha na mesma chave do cinismo da outra obra e se concentra no drama.
A amante do título é a espanhola Vellini, interpretada pela italiana de espírito global Asia Argento. Ela é a amante mais velha e de longa data do jovem Ryno de Marigny (Fu'ad Ait Aattou). Ele pretende deixá-la para se casar com Hermangarde (Roxane Mesquida), por quem alega estar apaixonado. Teoricamente, não é necessário abandonar a amante para se casar, mas o rapaz parece querer fazer tudo direito. Entretanto, a paixão entre os dois é grande e o ego ferido de Vellini promete não deixar Ryno em paz.
A maior diferença entre esse filme e os outros da diretora não está na ausência de cenas explícitas que causem controvérsia, mas sim na forma como ela observa a dinâmica do amor e das relações humanas. Este é um filme sobre o embate entre o amor e a paixão – e como essa batalha pode machucar as pessoas. Se os finais pessimistas e as mortes dolorosas eram o único destino de suas personagens, aqui ela encontra algo diferente – pode não chegar a ser redenção, mas, ainda assim, há uma certa esperança.
