Aldo (Diego Peretti) é dono de um lava-rápido, de meia- idade, metódico e solitário. Sua maior diversão é brincar de carrinhos de controle remoto com seus amigos nerds. Andréa (Carolina Pelleritti) aluga o apartamento ao lado dele – que é também propriedade dele. A moça é toda moderninha, trabalha como fotógrafa – especialmente de nus – tem um brinco no nariz e usa roupas hippies.
Não vai demorar muito para ela invadir a vida dele e tirá-lo dos eixos. Eles se apaixonam. Ela está grávida – o que seria uma complicação – e não faz questão de saber quem é o pai da criança. Ela conta que viveu quinze anos fora e conheceu diversos homens. Na semana em que ficou grávida, passou a noite com vários. Para manter as aparências, ele inventa para seus amigos e seu pai que ela é viúva.
O relacionamento entre os dois segue aos trancos e barrancos. Ela insiste em freqüentar médicos que usam terapias pouco ortodoxas, enquanto ele quer que ela procure um hospital e faça os devidos acompanhamentos. O trabalho dela, que envolve homens nus, também não o agrada em nada.
E assim caminha o segundo filme de Juan Taratuto (Não É Você, Sou Eu): do choque entre os estranhos, do amor que nasce desse choque. Mas falta liga para a história ter realmente algo a dizer. Numa leitura mais profunda, poderíamos encontrar alguns ecos sobre uma Argentina contemporânea, tentando conciliar o passado, na figura de Aldo, com a modernidade, Andréa. Mas chegar a essa conclusão requer um pouco mais de boa vontade ou imaginação do que o filme merece.
