04/06/2026
Ficção científica Aventura

Viagem ao Centro da Terra

Cientista que investiga o desaparecimento do irmão, há 10 anos, acha uma pista que o leva a uma aventura no misterioso centro da terra - povoado por dinossauros e plantas carnívoras. Baseado no livro de Júlio Verne.

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Reciclar a famosa história de Júlio Verne, escrita em 1864, é a proposta por trás desta aventura. Uma idéia que não deixa de ser curiosa, pensando-se no gênero de filmes de entretenimento, em geral empenhados numa acirrada competição para exibir os efeitos digitais mais vistosos e espetaculares. Este aqui, porém, confia mais num certo charme antigo, meio old fashioned - contando, porém, com a ferramenta do 3D digital, a nova febre que está lotando as salas de cinema norte-americanas, um sucesso que se pretende repetir aqui.

Filmado entre o Canadá e a Islândia, com um orçamento de US$ 45 milhões, o filme registra como principais atrações um dinossauro T-Rex, plantas carnívoras, piranhas voadoras, cavernas abissais, carrinhos desembestados em minas profundas, rochas flutuantes. Tudo isso parece prestar-se mais ao desenvolvimento do espetáculo 3D, em que todos esses elementos parecem saltar da tela e tocar o rosto do espectador. Ainda que, em certos momentos, fique claro que a tecnologia ainda comporte aperfeiçoamentos. Há cenas em que a imagem fica um tanto chapada, com algumas distorções que nem os novos óculos para 3D conseguem ainda resolver.

Para trazer a história de Verne para os dias atuais, cria-se um fiapo de história, tendo como protagonistas o geólogo Trevor Anderson (Brendan Fraser), que parte em busca do irmão sumido há dez anos, Max (Jean-Michel Paré). Investigando movimentos sísmicos, Trevor leva consigo a guia islandesa Hannah (Anita Briem) e seu próprio sobrinho, Sean (Josh Henderson), que veio passar uns tempos com ele.

O lance tio-sobrinho, aliás, vem do livro original, que tinha como protagonista o geólogo alemão Otto Lindenbrook e o sobrinho Axel. A Islândia também fazia parte do cenário de Verne, como a porta do centro da terra. No livro, porém, o guia era homem. O detalhe foi mudado para reforçar o elemento romântico do filme.

Há uma genuína intenção em divertir aqui – senão, o protagonista não seria Fraser, o impagável ator da cinessérie A Múmia (que terá seu quarto capítulo em breve). Sem nenhum menosprezo a Fraser, também, que mostrou que sabia atuar em Deuses e Monstros (1998). O pacote serve bem ao cardápio “filme para toda a família”. O herói dá conta de um lado meio pai, em relação ao sobrinho. O garoto encara bem a posição de meio atrapalhado, meio rebelde. A mocinha, bonita e carismática, dá conta do papel de heroína enérgica. Se a idéia é rir sem compromisso, o filme dá conta do recado.

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