O mote é o sincretismo religioso no Brasil, dissecando os paralelos entre o catolicismo e as religiões trazidas pelos escravos na época colonial. Este é um documentário que pretende provar uma tese, de que os africanos que chegavam no Brasil não tinha outra alternativa senão repetir os rituais de seus dominadores. É uma idéia interessante, ainda que já bastante explorada, especialmente nas aulas de história.
É exatamente isso que falta a Devoção: algo novo a dizer sobre o tema. Que a religião no Brasil não é pura – ou seja, existem influências de umas nas outras – já é bastante conhecido. Sanz insiste nessa idéia – e só nela. Depoimentos de pesquisadores, religiosos e praticantes não trazem nenhuma nova luz sobre o assunto, sucedendo-se didaticamente.
Das figuras entrevistadas, a mais interessante é Gisele Cossard, uma antropóloga francesa descendente de africanos, que se radicou no Rio, onde vive num terreiro, sendo conhecida como Omindarewá. Costurando os depoimentos, estão imagens de ritos católicos e do candomblé, que são bonitos, mas não seguram o filme.
A fé e as manifestações religiosas são temas de diversos documentários recentes, como O Chamado de Deus (2001), de José Joffily, e Santo Forte (1999), de Eduardo Coutinho. Aqui, porém, Sanz limita o seu objeto de estudo a Santo Antônio, que diminui não apenas a abrangência temática, como o interesse no seu trabalho.
