Numa das primeiras cenas, Katrina faz um escândalo no funeral do pai, jogando-se em cima do caixão e tudo mais. Aos poucos, depoimentos de amigos, vizinhos e conhecidos vão provando que aquilo é mera encenação.
Por meio de depoimentos, o público vai descobrindo que Katrina é viciada em drogas, sexo casual e adora causar problemas. Mãe negligente, ela deixou a filha de dois anos na casa da manicure para cair na farra. A garota só mostra algum sentimento sincero quando visita o irmão, Danny (Laurence Breuls), condenado à prisão perpétua por decapitar um homem. É ele quem diz, na brincadeira, que para tirar dinheiro do pai para pagar um advogado, só matando-o.
Quando essa idéia começa a se formar na cabeça da protagonista, Violência em Família toma outros contornos – sem perder sua veia de comédia de humor bastante negro. A personagem é uma manipuladora egoísta e sem coração, que não mede esforços para conseguir o que quer. Quando seu irmão vai preso, ela pede para o namorado (Michael Dorman) gravar da televisão todas as matérias em que ela aparece. Afinal, se vai ter quinze minutos de fama, que eles fiquem eternizados.
Como o título original, “Suburban Mayhem”, indica, esse é um filme sobre a vida nos subúrbios e o seu caos. Se Katrina é a força negativa, aquela que quer a fama, o sucesso e escapar da vidinha de qualquer forma, a vizinha Dianne (Geneviève Lemon) é o oposto. Capaz de encontrar paz nessa vida sem colorido, ela vê no pai de Katrina um possível pretendente.
Violência em Família talvez pudesse ser um pouco mais do que, nas mãos de um diretor mais experiente. O filme começa a se fechar demais na ação do morte do pai de Katrina na sua meia hora final e perde aquela espontaneidade e o retrato aguçado que fazia da personagem. Um punhado de músicas descoladas também parecem um pouco perdidas ao longo filme.
