Diretor veterano, premiado em Gramado por filmes como Cabaret Mineiro e Noites do Sertão, o mineiro Carlos Prates registra neste seu novo filme, o primeiro que faz em 17 anos, uma visão extremamente pessoal e muitas vezes poética sobre o legado do cinema mineiro. A vantagem é que o faz de modo nada solene, nem didático – o que, às vezes, também se torna um obstáculo para sua total clareza para as platéias que não conheçam os trabalhos comentados em seu semidocumentário.
Castelar e Nelson Dantas no País dos Generais é assumidamente uma homenagem à figura e aos filmes de cineastas como Humberto Mauro (Ganga Bruta, Joaquim Pedro de Andrade (O Padre e a Moça) Castelar Prates, Andrea Tonacci (Serras da Desordem) e Schubert Magalhães (Ela e os Homens, que realizaram uma cinematografia criativa, empenhada e muitas vezes cáustica, contra a corrente do cinema comercial e eventualmente à margem até mesmo do Cinema Novo, que dominava a cena nos anos 60.
Uma prova de que o filme tem comunicação é que incita a vontade de conhecer melhor o trabalho desses cineastas, especialmente de Prates e Schubert, que circulou muito menos do que o de Joaquim Pedro, autor de Macunaíma, O Padre e a Moça e tantos outros cuja obra foi restaurada e relançada em DVD. Seus colegas mineiros não têm a mesma sorte. Castelar e Nelson Dantas no País dos Generais chega para lembrar o quanto um relançamento das obras destes diretores, realizadas lutando contra a censura e outras restrições do período de ditadura militar, seria importante nesta fase de afirmação do moderno cinema brasileiro.
