03/06/2026
Suspense

O Nevoeiro

Uma pequena cidade fica encoberta por uma névoa misteriosa, que encobre um grande perigo. Um grupo de pessoas refugiam-se num pequeno mercado e discutem formas de enfrentar a situação.

post-ex_7
Nada pode ser mais aterrorizante do que a imaginação. E o diretor Frank Darabont (Cine Majestic) tem isso em mente no suspense O Nevoeiro. Baseado numa novela de Stephen King, mestre no gênero, o filme traz algo mais além dos inevitáveis sustos proporcionados pelos efeitos especiais.

O nome do romancista pode afastar quem já está cansado de filmes com temas sobrenaturais e alienígenas ou não tem se empolgado com as adaptações mais recentes de suas obras (caso de O Apanhador de Sonhos). Mas não há nada a temer. Com dois filmes baseados em histórias do escritor (A Espera de um Milagre e Um Sonho de Liberdade), Darabont é um dos adaptadores mais fiéis ao universo de King e não costuma desagradar aos fãs do autor, e mesmo quem nunca o leu.

A ação é desencadeada pelo fenômeno do título. Depois de uma forte tempestade, uma névoa cobre uma pequena cidade do Maine – cenário favorito de King –, onde todos parecem se conhecer. Um grupo de pessoas fica preso num mercado, que serve como um microcosmo da sociedade norte-americana. Aqueles que se aventuraram a sair não voltam. O que de tão mortal esconde esse nevoeiro?

Darabont e seus efeitos especiais mostram muito pouco do inimigo escondido no nevoeiro, um tentáculo aqui, algo ainda mais repelente ali. O que interessa para o diretor é a disputa de poder que se instaura naquele ambiente. David (Thomas Jane, de "Pecado Original") parece ser um líder nato e toma a frente no comando. Porém, ele sempre é democrático, consultando a todos sobre o que fazer.

Quem não concorda muito com ele é o seu vizinho Brent (Andre Braugher, de Poseidon), com quem já teve certas diferenças, e a sra. Carmody (Marcia Gay Harden, de Na Natureza Selvagem), uma religiosa fanática que vê no fenômeno inexplicável a ira de Deus.

Esses personagens são mais tipos humanos do que pessoas reais. Não possuem muita densidade emocional ou psicológica, mas isso não é um problema, pois o diretor pretende lidar com a disputa de liderança pelos diversos grupos e as suas conseqüências.

Publicada nos anos de 1980, a novela de King se mantém bastante atual por parecer um comentário sobre os Estados Unidos da era Bush, quando grupos diferentes deveriam cooperar para lidar com uma ameaça externa e desconhecida, como o terrorismo.

Se os sustos vêm do ataque das criaturas estranhas escondidas no nevoeiro, os elementos de horror do filme são muito mais fortes na natureza humana do que nos monstros. Darabont captura a dinâmica dos grupos e reagrupamentos, conforme a necessidade do momento, e a dança de poder dentro do mercado, em especial com a fanática religiosa, cujos fundamentos começam a converter as pessoas e causar medo em quem não segue a sua linha de pensamento.

Apesar do perfil de 'filme B' de O Nevoeiro, seus comentários sobre a era do horror e medo em que vivemos fazem com que o longa vá além da falta de criatividade que consome o gênero atualmente.

post