22/07/2026
Documentário

Iluminados

Nesse documentário, Cristina Leal mostra o trabalho de seis dos mais importantes diretores de fotografia do país em atividade. E lhes dá o desafio de cada um fazer a mesma cena a seu modo.

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A fotografia no cinema ainda é uma questão que confunde muita gente. Qual é realmente a função de um diretor de fotografia? Como ele pode ajudar o diretor de um filme a transformar uma idéia em imagem? São questões como essas que emergem no documentário Iluminados, de Cristina Leal.

Esse é um documentário que parte de uma boa idéia e a executa muito bem. A diretora convidou seis dos mais importantes diretores de fotografia brasileiros da atualidade e deu uma mesma cena para eles iluminarem e enquadrarem de acordo com seus gostos e opções pessoais. O que se vê na tela são seis momentos completamente distintos, o que só comprova o pluralismo do cinema.

Antes de cada cena, porém, o filme conta com depoimentos dos diretores sobre sua formação e influências. Dib Lutfi (Como Era Gostoso o Meu Francês), por exemplo, se mostra o mais interessando nas novas tecnologias. Em 2006 ele filmou Carreiras", de Domingos de Oliveira, em digital. Na sua versão da cena de "Iluminados", ele usa câmera no ombro e faz um plano-seqüência (uma longa tomada sem interrupção).

Edgar Moura (A Hora da Estrela) também opta por um plano sem cortes, mas sua concepção é completamente diferente da do colega. Fernando Duarte (Ganga Zumba) trabalhou uma fotografia mais naturalista, enquanto Pedro Farkas (Não Por Acaso) faz o mesmo, porém, com uma iluminação diferente. Ele, aliás, relembra a sua carreira e mostra que trabalhar com fotografia foi praticamente algo que estava no sangue. Seu pai é o famoso fotógrafo e produtor Thomas Farkas.

Walter Carvalho (Central do Brasil) é quem faz as opções mais criativas, usando luz de velas e de relâmpagos para iluminar o cenário. Além de fotógrafo, ele é diretor bissexto e prepara primeiro longa de ficção que dirigirá sozinho, Budapeste, baseado no romance homônimo de Chico Buarque. Em seu currículo tem outros em co-direção, como Cazuza – O Tempo Não Pára e o documentário Janela da Alma.

O último diretor de fotografia a dirigir a cena é Mario Carneiro (morto em outubro do ano passado), cujo currículo inclui 500 Almas e O Padre e a Moça. Nos últimos anos, ele também se dedicou a filmes sobre artes plásticas – para ele, a mãe da fotografia – e co-dirigiu Milton Dacosta: Construções Íntimas (1998), ao lado de Roman Stulbach.

O maior acerto da diretora Cristina Leal é não deixar o filme didático, sem esquecer no entanto o espectador que não possui conhecimento técnico. As cenas que ilustram os depoimentos, garimpadas das obras dos entrevistados, mostram a abrangência do cinema brasileiro e são muito bem aproveitadas pela edição de Marcelo Moraes e Luiz Guimarães de Castro.

Talvez a maior ausência sentida entre os entrevistados é Antonio Luiz Mendes, diretor de fotografia de filmes como Eternamente Pagu e Das Tripas Coração. Mas ele está presente em Iluminados, do outro lado da câmera, filmando seus colegas.

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