Em seu novo filme, o diretor invade o quartel da Brigada de Infantaria Pára-quedista, tropa de elite do exército brasileiro, instalado no Rio de Janeiro, para mostrar o desafiante treinamento de seus recrutas. Considerados como uma força especial de combate, eles passam fome, sede, frio e absoluto cansaço para chegar, orgulhosos, às suas patentes.
Entre depoimentos inflamados, hinos de louvor à pátria e cenas de exercícios, não há momento em que Mocarzel não capte, por meio de trêmulas câmeras, o esforço da brigada para manter um padrão de qualidade na formação de suas tropas. Os piores flagelos são consentidos para que o recruta saiba pensar sobre a mais acachapante pressão durante uma guerra.
Como não há contrapontos, falas discordantes, ou mesmo comparações sobre treinamentos, tudo o que se assiste parece vital para a segurança do País. E se não é voltado para problemas internos, que os esforços sejam para o Brasil aparecer como referência global na qualificação de suas forças armadas.
Em uma das partes mais interessantes do documentário, o diretor interpõe as reações e as críticas dos soldados sobre os mais emblemáticos filmes de guerra. Assim, Apocalipse Now, Nascido para Matar, Dias de Glória, O Resgate do Soldado Ryan e Platoon entram na esteira de filmes que “glamourizam” o combate, sem se ater à realidade.
Embora pareça ser chapa branca, Mocarzel sabe levar seu documentário, mesmo que nas entrelinhas, ao debate mais profícuo sobre as relações internas e externas do Exército. Nas falas de tenentes-coronéis, mostra a delicada relação entre as forças armadas e a opinião pública. O serviço ao País e a desinformação de sua população.
Mesmo sem sair do quartel, o diretor dispõe de entrevistas com potencial tão bélico para os espectadores, sejam prós ou contra, quanto o treinamento dos combatentes. Esse é o mérito de Mocarzel, que acerta com suas histórias de caserna.
