Para entender o enredo de Jogos Mortais V, é preciso voltar para o início da franquia. A saber, Jigsaw (Tobin Bell, de Mississipi em Chamas) não é um assassino como outro qualquer. O personagem é uma espécie um voyeur, que tem prazer em assistir ao sofrimento de suas vítimas, sem realmente matá-las.
Ele prefere tramar lúdicas e sangrentas armadilhas que, em geral, fazem aqueles que devem superá-las – com poucas opções de saída – se matarem das piores formas. Esse é o argumento de todos os cinco filmes da cinessérie.
No entanto, o personagem morre já no terceiro filme, deixando para o quarto a explicação sobre os motivos de submeter suas vítimas a todos esses tormentos. Em estágio de câncer terminal, Jigsaw escolhia pessoas que não tinham amor pela própria vida, e que, apenas com uma experiência de morte quase certa, poderiam entender seu significado e beleza.
Em Jogos Mortais V, volta à cena o personagem Mark Hoffman (Costas Mandylor, de Beowulf), que, depois de passar pelas torturas de Jigsaw – em Jogos Mortais IV --, decide manter seu legado. Nada será fácil para Hoffman. Com seu segredo prestes a ser descoberto, ele terá de fechar todos os pontos que o liguem a Jigsaw e, evidentemente, matar um punhado de gente.
Em 2004, quando o primeiro Jogos Mortais foi lançado durante o Festival de Sundance, James Wan e Leigh Whannell, diretor e roteirista originais, diziam procurar novidades. Cansados de filmes splatter (termo usado para designar filmes que respingam sangue), como Pânico (1996) e Eu Sei o que Vocês fizeram no Verão Passado (1997), investiram numa idéia que diziam considerar “mais psicológica”.
O resultado é uma série extremamente violenta, que deu origem a uma nova geração de filmes de terror. O que importa nessas produções, - como O Albergue (2006) e Turistas (2006), para dar dois exemplos -, não é o suspense, mas os requintes de crueldade do assassinato.
Quem tem estômago (e vontade) para ver uma jovem ser atirada em uma piscina de agulhas e “nadar” em busca de uma chave, ou cortar o próprio pé com um serrote cego, não vai se arrepender com a série. Quem é contra isso, apenas se surpreende com os impressionantes US$ 550 milhões arrecadados pelas produções.
