Embalado em belas imagens de arquivo, o filme de Marco Altberg traça a importância da companhia que, criada em 1930, num determinado momento, no pós-guerra, foi a segunda do mundo em número de linhas e movimento. Eram tempos pioneiros, em que um vôo para Lisboa chegava a durar 22 horas, atravessando-se o oceano Atlântico sem radar e enfrentando-se na raça a força dos ventos da chamada frente intertropical.
Depoimentos como da atriz Norma Bengell e da ex-aeromoça – e também atriz – Isabella Campos recuperam o clima a bordo dos aviões da Panair, certamente muito distante do despojamento espartano dos apertados aviões comerciais modernos.
A então poderosa Panair entrou no imaginário dos artistas, com um de seus aviões aparecendo em cena de Um Só Pecado (1964), de François Truffaut. Sua inexplicável derrocada também foi cantada em música, Saudades da Panair, de Milton Nascimento e Fernando Brant que, feita em 1975, driblou a censura mudando seu nome para um neutro Conversando no Bar.
Permanece nebulosa, porém, a história central da destruição da companhia. Herdeiros dos antigos donos defendem a tese do suposto favorecimento da Varig que, segundo eles, tinha seus aviões prontos para decolar nas mesmas rotas e horários assim que se decretou o fim da Panair. Por 20 anos, os antigos proprietários e depois seus herdeiros lutaram na justiça para levantar a falência da empresa – o que foi conseguido em 1995. Tempo demais para reativar a Panair, cujos ex-funcionários reúnem-se anualmente para relembrar os bons tempos.
