19/07/2026
Drama

A Princesa de Nebraska

Grávida de Yang, que ficou na China, Sasha está nos EUA. Hospedada na casa de Boshen, namorado de Yang, ela deve decidir se aborta ou forma com os dois uma família anticonvencional.

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O celular com câmera é o modo de Sasha (Ling Li) se relacionar com a vida. Como para muitos jovens de sua idade em todo o mundo, o aparelho é como um prolongamento de seu corpo. Nem toda tecnologia do mundo, no entanto, dá conta de encurtar sua distância de Yang, o namorado de quem está grávida, e que ficou na China, enquanto ela veio para os EUA.

A câmera do filme, sempre colada na pele de Sasha, coloca-a em primeiro plano o tempo todo, mas isso também não revela o seu mistério. Ninguém sabe o que Sasha sente e pensa, por mais que ela seja vista o tempo todo. Esse aparente paradoxo, crucial nos dias de hoje, inspira o diretor Wayne Wang a criar o filme, que foi lançado na internet em outubro de 2008 procurando, justamente, a sintonia com estes tempos ultra-informatizados e filmados, de muitas imagens e torpedos trocados via celulares ou computadores, mas sem deslocar os sentimentos nem a natureza humana de lugar. As pessoas podem ter outros meios mais rápidos para se comunicar do que as demoradas cartas do século XIX, mas as necessidades vitais de um e outro tempo parecem não ter mudado tanto assim.

Não é uma proposta de outro século, porém, e sim muito deste atual a que faz a Sasha o norte-americano Boshen (Brian Danfort), em cujo apartamento a moça se hospeda. Boshen é o outro namorado de Yang, pai da criança de Sasha. E ele quer que Sasha desista da idéia de aborto, criando o filho junto com ele e Yang, quando ele puder sair da China. Sasha está indecisa. Ela ainda não sabe o que quer fazer da vida, nadando no enorme oceano de possibilidades descortinado pela sua juventude, em que nem tudo é cor, nem alegria, e muito é determinado pela vontade de experimentar.

Lançado ao mesmo tempo que Mil Anos de Orações, este filme forma um díptico sobre a vida emocional de nossos tempos, demonstrando a versatilidade do diretor sino-americano, que já dirigiu O Clube da Felicidade e da Sorte (93), Cortina de Fumaça e Sem Fôlego, ambos de 1995, em parceria com o escritor Paul Auster.

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