Louis Garrel, filho do diretor e protagonista de Os Amantes Constantes e Os Sonhadores, interpreta François, um jovem fotógrafo sem muita ambição na vida. Num trabalho, ele conhece a atriz Carole (Laura Smet, de A Dama de Honra). A química entre os dois é imediata. Mas, para usar uma teoria apresentada no filme, eles são como dois limpadores de pára-brisas, nunca se encontram. Ou seja, nunca querem a mesma coisa ao mesmo tempo.
Ela é casada e transforma o fotógrafo em seu amante oficial. O caso dura até o retorno do marido traído, que está em Hollywood. Quando este vai embora novamente, o romance entre os dois protagonistas parece ter esfriado. Carole passa o tempo escrevendo cartas de amor tentando reconquistar François, que agora resiste. Enquanto isso, a sanidade da moça se esvai aos poucos.
É curioso que isso não aconteça sem um aviso prévio. Antes no filme, ela perguntava ao amante: “Você me amaria se eu ficasse louca? E se eu fosse louca?”. Aparentemente, as duas frases são iguais – mas há uma sutil diferença. Carole é emocionalmente muito instável e isso contamina François.
Aqui, amar é perder a identidade, é se transformar num zumbi sem vontades próprias a não ser agradar ao objeto do desejo. Ao mesmo tempo, é se ver refletido no outro – não por acaso, um fantasma no filme aparece quando um dos personagens se olha no espelho.
As reviravoltas do filme de Garrel trabalham sempre no limite da sanidade dos personagens – questionando a realidade e o delírio. Éve (Clémentine Poidatz, de Maria Antonieta), uma nova namorada de François, também tem os seus problemas emocionais. E ele, como uma esponja, também os absorve.
Para o diretor Garrel, o amor, que poderia ser a redenção das pessoas, parece se tornar uma maldição, aquilo que consome cada um até esgotar sua energia vital. É uma opção um tanto radical – mas essa visão de mundo condiz com obras anteriores do cineasta.
