Com seu tão caro erotismo e latinidade, o cineasta catalão Bigas Luna (de Jamón, Jamón e A Teta e a Lua) volta à forma depois de uma década sem aparecer no circuito comercial brasileiro - seu último trabalho visto por aqui foi A Camareira do Titanic (1997).
Em Eu sou a Juani (selecionado para a 31º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2007), o diretor e roteirista retoma a figura dos personagens femininos fortes, em que a busca pelo prazer não é um conceito, mas um estilo de vida.
Tal como em seus marcantes Lola (1985) e As Idades de Lulu (1990), a heroína de seu filme, Juani (Verónica Echegui, atriz em ascensão na Espanha) está à procura de uma identidade. Vivendo em uma pobre cidade do interior, sente-se massacrada pela mediocridade aparente de sua vida.
Ela mora com o pai alcoólatra e falido, trabalha com desgosto como caixa em um hipermercado, e seu namorado Jonah (Dani Martín), um bad boy que só pensa em carros, a trai às escancaras. Decidida a mudar de vida, junta alguns trocados e parte com a amiga Vane (Laya Martí) para Madri, onde pretende tornar-se uma grande atriz.
Na capital espanhola, Juani e Vani vão se deparar com todos os obstáculos para se tornarem celebridades. Sem dinheiro e sem talento, elas caem nas piores situações, incluindo romances com jogadores de futebol casados. Em determinado momento, Juani chega a ser confundida com garota de programa, ao entrar num bar à procura de um agente televisivo.
Embora Bigas Luna acerte na caracterização da personagem e na animada trilha sonora, o filme perde o fôlego justamente nas agruras vividas pela protagonista em Madri. Quando caminha para o seu desfecho, a produção tropeça em cenas sem substância, focando em brigas vulgares e cenas clichês, como um mal elaborado teste do sofá.
Entre defeitos e acertos, a produção se equilibra no convencional. Com certeza um filme menor do diretor catalão, mas nem por isso desinteressante.
