Liv (Kate Hudson, Amigos, Amigos, Mulheres à Parte) e Emma (Anne Hathaway, de O Diabo Veste Prada) são amigas desde a infância. A vida toda sonharam com um casamento perfeito no Hotel Plaza, em Nova York. Por um erro da agência que organiza as cerimônias, os dois casamentos são marcados para o mesmo dia – e vai levar meses para ter outra data disponível. Qualquer pessoa sensata sugeriria um casamento duplo – afinal, elas são muito amigas. Mas nenhuma aceita a idéia, nem ceder a data para a amiga, querendo os holofotes apenas para si.
Como as duas personagens são estereótipos ambulantes, elas não sabem dialogar e declaram guerra mútua com a finalidade de destruir o casamento da ex-melhor amiga. As armas incluem sabotar o bronzeamento artificial ou a cor da tintura de cabelo da rival – nada muito criativo ou mesmo engraçado.
Mas como apenas essas picuinhas não segurariam os 80 e poucos minutos de filme, antes de entrar em guerra – enquanto ainda são amigas – Emma e Liv vão às compras para escolher tudo do mais caro e fino para o Grande Dia de Suas Vidas. Aí reside o maior tédio de Noivas em Guerra: assistir aos preparativos de dois casamentos para os quais jamais seremos convidados.
Uma contradição visível é que Emma e Liv são, à primeira vista, um tipo de mulher moderna, que vive com o namorado, trabalha, se sustenta e é feliz – um perfil, portanto, em que não parece se encaixar muito bem o velho sonho de casar de branco com toda essa pompa.
Logo se vê que Emma e Liv não têm muito em que pensar fora deste sonhado casamento – que acaba se transformando num problema maior do que o esperado. Emma, apesar de ser uma professora de escola pública, mostra-se capaz de economizar para pagar pelos serviços da organizadora de casamentos caríssima, vivida por Candice Bergen. Enfim, milagres de Hollywood.
Desde quando Julia Roberts tentou acabar com o casamento de um amigão, em O Casamento do meu Melhor Amigo (96), o tema ficou recorrente nas comédias românticas de Hollywood. Ela mesma foi uma noiva fujona em Noiva em Fuga (99) – quando ainda parecia haver algo de diferente a dizer sobre mulheres de véu e grinalda. Desde, então, o subgênero inflacionou com comédias bastante parecidas, do tipo Licença Para Casar, Casamento Grego, Mamma Mia!, Sex and the City e O Melhor Amigo da Noiva. O maior apelo destes filmes é ser capaz de levar o público para outro lugar, um sonho no qual a realidade passa a quilômetros de distância.
