Ray, interpretada por Melissa Leo (21 Gramas), vive numa região gelada na fronteira dos Estados Unidos com o Canadá. Ela foi abandonada pelo marido, que levou o dinheiro da prestação de uma casa que estavam pagando. A poucos dias do Natal, ela precisa recuperar a importância ou perde tudo, inclusive, o que já pagou.
Depois de tentativas frustradas de encontrar o marido, Ray conhece Lila (Misty Upham), uma nativa descendente de Mohawks, que vive numa reserva indígena na região. A garota trabalha num bingo, mas enfrenta problemas porque ganha pouco e está perdendo a visão.
Uma série de desentendimentos acaba unindo as duas personagens num trabalho arriscado: atravessar imigrantes ilegais para os Estados Unidos pela fronteira de Quebec. Como o rio que une os dois países está congelado, elas não precisam passar pela ponte, onde certamente seriam barradas em algum posto policial.
Escrito e dirigido pela estreante Courtney Hunt, o filme tem ingredientes de suspense, mas combina também estudo de personagens com realismo social: Ray tem dois filhos, ganha pouco e está cansada de levar uma vida de privações; o marido de Lila morreu e seu filho de um ano foi tomado pela sogra. Todo o dinheiro que ganha é destinado à criança.
Ganhador do Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance de 2008, Rio Congelado tem o perfil do cinema independente norte-americano, ou seja, baixo orçamento, história humanista e tema local com reflexo global. A diferença deste para os demais que seguem a mesma cartilha está na forma como Courtney demonstra seus sentimentos pelos personagens.
Sundance, nos últimos anos, transformou-se numa grife de promoção para filmes tão diferentes quanto Pequena Miss Sunshine (2006) e Amnésia (2001). Rio Congelado consegue elevar-se acima do selo de aprovação do festival ao deixar de lado o mero exercício de estilo para investir com força num drama mais pungente, colocando no centro seus personagens.
Somem-se a isso as interpretações acertadas de Melissa e Misty e o resultado é um filme forte e emocionante que trafega por caminhos tortuoso sem cair no exagero nem na pieguice. É um filme pequeno, ciente da sua dimensão e, por isso mesmo, capaz de ultrapassar suas ambições.
