04/06/2026
Drama

O Sal da Terra (2009)

Miguel é um padre católico que convenceu seu bispo a apoiá-lo numa forma original de difundir a fé: passa a dirigir um caminhão e reza missa pelas estradas do Brasil. No caminho, conhece caminhoneiros e envolve-se em suas vidas.

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O cinema brasileiro atual busca a simplicidade e a conquista do público. Mas a simplicidade é coisa complicada de atingir. Porque sempre há o risco de cair no simplório.

Produção com distribuição independente, O Sal da Terra, de Eloi Pires Ferreira, não ousa sair do bom-mocismo ao contar a história do padre Miguel (Edson Rocha) – um religioso católico que convenceu seu bispo a dar-lhe um caminhão, transformando-o numa “igreja rodante”. A vida do padre é andar pelas estradas deste País, celebrando missas e espalhando a fé.

Compartilhando a vida dos caminhoneiros normais, ele divide com eles as mesmas hospedagens e refeições modestas. Torna-se amigo de um deles, Romeu (Enéas Lour), o que permite ao filme abordar algumas das angústias da categoria – insegurança, distância da família, risco de acidentes e assaltos.

O próprio Romeu é vítima de um tiro de um jovem bandido (Diego Kozievitch, o bruxinho de Castelo-Rá-Tim-Bum – O Filme). Fica num hospital, entre a vida e a morte, o que permite ao amigo padre conhecer sua esposa, Irene (Christiane Macedo).

O padre, por sua vez, está angustiado porque sua própria irmã, que mora longe, tem câncer e ele não pode imediatamente ir ao encontro dela.

O roteiro, do próprio diretor e de Altenir Silva e José Olímpio, não vai muito longe nos conflitos dramáticos, nem nas ambições.Há uma certa ingenuidade, também, na forma como se lida com o tema da religião – que, como se sabe, tem inúmeras outras nuances e possibilidades de polêmica. Os personagens saem, assim, um tanto unilaterais. E a música é usada excessivamente, a todo momento, para acentuar a emocionalidade. Passou da conta.

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