No filme, o diretor e ator é Takeshi, o alter-ego do cineasta que tem até um boneco de papel machê em tamanho natural, que vem a calhar quando a situação fica ruim. Na abertura do filme, essa réplica passa por uma bateria de exames, e, ao final, o médico diz que da próxima vez Kitano é quem deve aparecer na consulta.
Se essa abertura e a primeira metade do filme são bem sacadas, a segunda parte se perde de vez. No começo, o personagem é um diretor de cinema que carrega alguns fracassos e tenta reencontrar o caminho do sucesso. Para isso, tenta diversos gêneros de filme. Tenta fazer um drama como os de Ozu, com pessoas simples vivendo uma vida sem glamour. Pouco depois conclui que ninguém ‘quer ver alguém bebendo chá e saquê por trinta minutos’ e desiste do projeto, até porque ‘o homem comum desapareceu’.
Depois ele se aventura por outros gêneros, como terror, romance e artes marciais, sempre sem sucesso. Até encontrar um misto entre ficção científica e comédia. Essa é a maior parte de Glória ao Cineasta e a mais fraca.
Entram em cena uma dupla de golpistas formada por uma mãe e uma filha que se vestem com roupas estranhas e fingem encontrar baratas na comida para não pagar a conta no restaurante. O caminho delas acabará cruzando com o de um cientista – também interpretado por Kitano.
O que o diretor deixa claro ao longo do filme é que pretende fazer uma sátira ao cinema e aos cineastas – ou mesmo uma homenagem, à la 8 ½, falando de sua crise. Mas passa longe de se sair bem, fazendo um humor que, em seus melhores momentos, lembra o humorístico brasileiro Os Trapalhões.
