A história se fecha num huis clos em torno de um pequeno grupo de personagens urbanos, afogados em dilemas cotidianos, comuns e também extremos. Paulo (Filipe Abreu) é um trabalhador da construção civil demitido por suas denúncias contra a empresa, após um desmoronamento na obra em que trabalhava, com vítima fatal. Lúcia (Isabel Abreu, de Dot.com), sua mulher, é faxineira e exaspera-se com o novo desemprego do marido, o que a obriga a arcar com o sustento da casa e dos dois filhos.
A irmã de Paulo, Anabela (Lavínia Moreira), é enfermeira e vive com o pai de ambos, Júlio (Luís Filipe Rocha), aposentado que se ressente da própria sensação de inutilidade. Em torno de Anabela, gravitam um doente terminal (Gonçalo Waddington) e sua mãe (Fernanda Lafa), a quem ela dá assistência, e que, no filme, constituem mais um núcleo familiar disfuncional.
A cuidadosa fotografia de Entre os Dedos traduz perfeitamente a descolorida vida destas pessoas, que parecem presas numa ratoeira, incapazes de compreensão e relacionamento eficaz entre si. Filme duro, exigente com o público, não se pode dizer que seja original, porém. Trata-se do segundo trabalho da dupla de diretores, após o terror Coisa Ruim (06).
