Assim, não há propriamente uma narrativa a se acompanhar e sim uma série de 57 esquetes, alguns deles inter-relacionados, outros sem conexão alguma. Dessa forma, o diretor explora as conquistas e misérias da espécie humana contemporânea – embora, o filme não se passe numa época específica.
Alguns segmentos, é óbvio, funcionam melhor do que outros. Um homem conta seu sonho estranho para a câmera, enquanto está preso num congestionamento. Ele estava num jantar de uma família rica quando, enquanto tenta fazer um truque, quebra um conjunto de louça antigo e caríssimo. Por isso, acaba sendo julgado e condenado à morte.
Outro personagem diverte-se mais olhando pela janela de casa para ver o que acontece no apartamento do outro lado da rua, sem prestar atenção ao que sua mulher lhe diz. Os dois acabam falando a mesma frase, mas a incomunicabilidade é tanta que nem percebem.
Andersson captura pequenos momentos da vida de pessoas comuns com sensibilidade e sagacidade. Suas imagens parecem traduzir o efeito da pressão social sentida por seus personagens. A câmera sempre parada emoldurando a ação aumenta a dimensão dessa imobilidade das pessoas no filme.
Alguns personagens fazem revelações constrangedoras em lugares públicos. Nesses momentos, Andersson encontra humor e até mesmo ternura para falar do estado do mundo. Alguns indícios, porém, podem fazer parecer que tudo não passa de um sonho.
