04/06/2026
Drama Comédia

Vocês, Os Vivos

Uma série de esquetes aborda aspectos do ser humano, em suas vitórias e mazelas, medos e alegrias. Unindo a todos, uma grande sensação de solidão.

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À primeira vista, o filme sueco Vocês, Os Vivos, de Roy Andersson, enquadra-se facilmente na prateleira ‘filme estranho com gente esquisita’. Como em seu longa anterior Canções do Segundo Andar (sucesso na 24a Mostra, em 2000), o diretor apresenta uma série de quadros estáticos sobre a vida, seus encontros e desencontros, tudo meio que governado pelo acaso.

Assim, não há propriamente uma narrativa a se acompanhar e sim uma série de 57 esquetes, alguns deles inter-relacionados, outros sem conexão alguma. Dessa forma, o diretor explora as conquistas e misérias da espécie humana contemporânea – embora, o filme não se passe numa época específica.

Alguns segmentos, é óbvio, funcionam melhor do que outros. Um homem conta seu sonho estranho para a câmera, enquanto está preso num congestionamento. Ele estava num jantar de uma família rica quando, enquanto tenta fazer um truque, quebra um conjunto de louça antigo e caríssimo. Por isso, acaba sendo julgado e condenado à morte.

Outro personagem diverte-se mais olhando pela janela de casa para ver o que acontece no apartamento do outro lado da rua, sem prestar atenção ao que sua mulher lhe diz. Os dois acabam falando a mesma frase, mas a incomunicabilidade é tanta que nem percebem.

Andersson captura pequenos momentos da vida de pessoas comuns com sensibilidade e sagacidade. Suas imagens parecem traduzir o efeito da pressão social sentida por seus personagens. A câmera sempre parada emoldurando a ação aumenta a dimensão dessa imobilidade das pessoas no filme.

Alguns personagens fazem revelações constrangedoras em lugares públicos. Nesses momentos, Andersson encontra humor e até mesmo ternura para falar do estado do mundo. Alguns indícios, porém, podem fazer parecer que tudo não passa de um sonho.

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