Se os produtores acreditam que pais desatentos ou crianças pouco exigentes engolirão o filme com facilidade, levarão uma martelada na cabeça, daquelas que só o Pica-Pau ou o ratinho Jerry são capazes de desferir. E verão muitas estrelas e ouvirão passarinhos cantando.
Filme infantil não é sinônimo de roteiros apressados ou histórias simplórias que, supostamente, podem ser aceitas por crianças muito pequenas. No mundo da animação atual, depois do sucesso de filmes como Toy Story e Ratatouille, que agradam a crianças e adultos, o público quer sempre novidades. Seja com a apresentação de novos e insólitos personagens, como o ursinho rechonchudo de Kung Fu Panda, ou histórias mais bem elaboradas e com recursos técnicos de primeira linha, como Bolt – o Supercão. Em Romeu o Vira-Lata Atrapalhado não há nada disso. O traço é ingênuo, quase grosseiro; a história é pobre e a ação chega a ser risível. Nada prende a atenção dos pequenos. Romeu, o cãozinho vira-lata do título, não tem carisma, é boboca, e sua namorada mais parece uma personagem de reality show que só sabe fazer caras e bocas.
No filme, dirigido pelo indiano Jugal Hansraj, Romeu é abandonado por seus donos, que mudaram para a Inglaterra. Acostumado a uma vida de fartura, ele se vê da noite para o dia na rua, sem ter onde dormir ou o que comer. Para piorar a situação, precisa enfrentar uma gangue de vira-latas dona do pedaço. Mas ele consegue se impor pela inteligência e por seu talento como cabeleireiro. No entanto, seu sucesso atrai a atenção de Charlie, um grandalhão mafioso e de maus-bofes que não admite que alguém fature à sua sombra. E, para dificultar ainda mais as coisas, os dois estão apaixonados por Laila, uma cadelinha cantora e dançarina. E, como num filme de Bollywood, esse é o pretexto para muitas cenas de canto e dança. Resta esperar a hora da verdade, quando saírem os números de bilheteria.
