21/07/2026
Drama Comédia

Enquanto o Sol Não Vem

Agathe é uma escritora feminista que está se envolvendo com a política. Dois documentaristas resolvem fazer um filme sobre a vida dela. O grupo passa uma temporada na casa de campo da família da personagem e problemas vem à tona.

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O cinema da francesa Agnès Jaoui é calcado nos personagens. É o arco de evolução das pessoas em cena que conduz a narrativa e não o contrário. Isso não é diferente em seu mais novo trabalho, Enquanto o Sol Não Vem, o que não quer dizer que essa respeitada roteirista, diretora e atriz esteja se repetindo. A cada trabalho, ela e seu corroteirista e também ator, Jean-Pierre Bacri, encontram uma nova abordagem e se sofisticam.

Jaoui ganhou um prêmio pelo roteiro de Questão de Imagem, em Cannes (2004), coescrito por Bacri. Seu O Gosto dos Outros foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, além de ganhar dois prêmios Cesar (melhor filme e atriz coadjuvante), em 2001.

Em Enquanto o Sol Não Vem Jauoi aborda, entre outras coisas, o legado que o feminismo deixou para sua geração. Ela é Agathe Villanova, uma política feminista que retorna para a casa de sua infância, na região de Avignon, pouco depois da morte de sua mãe.

O reencontro entre as irmãs Agathe e Florence (Pascale Arbillot) traz à tona ressentimentos do passado, quando uma era a preferida da mãe. Florence mantém um caso extraconjugal com Michel Ronsard (Bacri), um jornalista que faz um documentário sobre Agathe.

Ronsard trabalha com Karim (Jamel Debbouze, de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain) na produção do documentário. No entanto, a presença do rapaz na casa da família traz outra complicação. Ele é filho da empregada, Mimouna (Mimouna Hadji), que trabalha com a família há décadas.

É nesse estranhamento que Enquanto o Sol Não Vem encontra uma outra força política abordando a questão dos imigrantes e todo o ressentimento que acompanha Karim, que chega a fazer um vídeo com sobras de filmagens do documentário, ridicularizando Agathe e sua família.

É com uma delicadeza quase subliminar, nas entrelinhas, que Jaoui toca em dois assuntos polêmicos na França contemporânea: mulheres na política e imigração. Se a comédia leve das primeiras cenas toma um desvio para um tom mais sério e até melancólico é porque isso é um reflexo do país da cineasta, onde liberdade, igualdade e fraternidade tornaram-se lemas menos populares que no passado.

Filmes recentes, como os premiados Bem-Vindo e Entre os Muros da Escola, mostram a França como um caldeirão de etnias. O assunto está presente no filme de Jaoui, mas de outra forma. Tal qual a chuva que quase nunca dá uma trégua aos personagens, a questão está ao lado para não deixá-los esquecer, seja na figura de Karim ou na de outros personagens.

Os momentos cômicos, no entanto, também estão lá. Muitos deles envolvem a dupla de documentaristas, que parecem não ter a menor experiência nem intimidade com a câmera, o que desperta o mau humor tipicamente de Agathe. Ao falar de infortúnios, como a perda de um amante, de um trabalho ou uma filmagem que não deu certo, Enquanto o Sol Não Vem mostra como o ser humano é capaz de sobreviver às pequenas tragédias individuais.

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