A Onda é baseado num fato real acontecido na Califórnia no final dos anos de 1960. A ação é transportada para a Alemanha contemporânea e isso adiciona uma nova camada ao filme. O longa lida exatamente com a ascensão de regimes totalitaristas e parece perguntar o tempo todo se seria possível algo como o Terceiro Reich acontecer de novo. Assustadoramente, a resposta parece ser sim.
Para que seus alunos entendam como isso é possível, o professor monta dentro da sala de aula um regime totalitarista. Ele deverá ser chamado apenas de Sr. Wegner, todos os alunos deverão vestir o mesmo uniforme – eliminando assim qualquer traço de individualidade. A posição dos 30 estudantes dentro da sala será reorganizada para aumentar o potencial de aprendizagem e eliminar possíveis conflitos.
O experimento recebe o nome de Onda, e, aos poucos, ganha força entre os alunos do Sr. Wegner, que melhoram não apenas no time de pólo aquático, como também passam a ajudar um rapaz que sempre era humilhado por outros alunos da escola. O grupo concebe até um logotipo e um cumprimento secreto que remete ao nazista.
A Onda é o que tira os jovens da alienação e lhes dá algo em que acreditar e por que lutar. Alguns alunos, que eram considerados mais frágeis, sentem-se fortes e ascendem ao poder. Outros, abandonam o projeto. Claro que, mais cedo ou mais tarde, toda essa experiência iria sair de controle, e tornar-se algo mais perigoso do que um simples trabalho escolar. O filme mostra como as pessoas são facilmente moldadas de acordo com o regime vigente e que muitas, inclusive, facilmente acatam qualquer tipo de ordem sem contestar.
Dirigido por Dennis Gansel, o filme usa seus personagens mais como tipos para provar uma tese – a possibilidade de nascimento e ascensão de regimes fascistas – do que como seres humanos. Isso não chega a ser um problema, pela forma como o diretor aborda a questão com profundidade e lucidez.
A produção contou com a consultoria de Ron Jones, o professor que conduziu a experiência em Palo Alto, na Califórnia, em 1967. A conclusão do experimento, aliás, na vida real difere daquele mostrado no filme. Ainda assim, A Onda lembra habilmente que as raízes de um regime totalitário crescem em qualquer lugar do mundo – e não apenas em países que já passaram por essa experiência.
