Produzido, escrito e dirigido pela engajada Franny Armstrong (Mclibel), com ajuda de Ken Loach (Ventos da Liberdade), o filme se passa em 2055, quando o planeta foi devastado pela poluição e não há mais vida na Terra. Restou apenas um arquivista (Pete Postlethwhaite, de Em Nome do Pai), responsável por uma espécie de museu futurístico que concentra toda a cultura dos povos já extintos.
"Se eles sabiam o que poderia acontecer, por que não fizeram nada para impedir?”, questiona-se o homem, enquanto analisa os sinais que apontavam para a catástrofe ambiental que se seguiu. Como o contínuo desaparecimento da neve (supostamente eterna) em Mont Blanc, na fronteira entre França e Itália, no ano de 2008.
Ao misturar ficção com documentário, a diretora busca personagens reais em diferentes continentes para ensinar que é responsabilidade de cada indivíduo evitar a catástrofe.
Um dos mais interessantes é o empreendedor indiano Jeh Wadia. Com o discurso “todos têm direito a viajar de avião”, ele pretende baratear o preço das passagens de sua empresa para que todo o indiano possa voar. Franny não condena Wadia, mas deixa claro ao espectador que ele não tem a menor preocupação com o impacto causado pela emissão de carbono de seus aviões, que levarão mais de um bilhão de pessoas pelos céus.
A diretora prefere guardar as críticas mais contundentes para as empresas petrolíferas, em especial a Shell. Conversando com a população local de uma vila nigeriana, Franny retrata o descaso da companhia com o entorno de suas instalações. Polui o rio com óleo (o que obriga os moradores a lavar seus peixes com sabão em pó para conseguir comê-los) e, em determinado momento, ainda é acusada de participar indiretamente de um massacre.
Longe de ser um documentário metódico e alarmista sobre o fim do mundo, A Era da Estupidez é um mosaico de histórias e diagnósticos que cumpre o papel de informar o espectador. Como documentarista, Franny tropeça algumas vezes e peca na edição final, com recortes pouco interessantes e cenas que nada acrescentam à discussão.
No entanto, o propósito do filme está lá: instigar o público a exigir que cada nação reduza as emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa, para que a temperatura do planeta não aumente 2º C. Afinal, com tanto progresso, “o ser humano não pode evoluir para o suicídio”, diz uma das personagens.
Distribuído no Brasil pela MovieMobz, o filme será exibido em sessão única nos cinemas de onze cidades brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Salvador, Fortaleza, Juiz de Fora, Curitiba, Santos e Porto Alegre. Para informações sobre as sessões, acesse: www.moviemobz.com/aeradaestupidez
A cerimônia principal de lançamento de A Era da Estupidez será realizada em Nova York, apresentada pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan e pela atriz Gillian Anderson (Arquivo X). A noite terá ainda show de Thom Yorke, vocalista do Radiohead. Os produtores esperam que toda a energia utilizada no evento resulte em apenas 1% do carbono normalmente emitido em uma pré-estreia tradicional.
