03/06/2026
Documentário

A Era da Estupidez

Num futuro, um ecoativista olha para o passado, o ano de 2008, e tenta descobrir onde as pessoas falharam em relação ao aquecimento global.

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Com estreia mundial em 40 países, neste dia 22 de setembro, A Era da Estupidez não é apenas uma produção cinematográfica. O filme é parte um processo maior de conscientização ambiental, visando influenciar as decisões que serão tomadas em dezembro deste ano, na 15ª Conferência da ONU sobre Mudança do Clima (COP 15), em Copenhagen. Enfim, mais um produto na luta contra o aquecimento global.

Produzido, escrito e dirigido pela engajada Franny Armstrong (Mclibel), com ajuda de Ken Loach (Ventos da Liberdade), o filme se passa em 2055, quando o planeta foi devastado pela poluição e não há mais vida na Terra. Restou apenas um arquivista (Pete Postlethwhaite, de Em Nome do Pai), responsável por uma espécie de museu futurístico que concentra toda a cultura dos povos já extintos.

"Se eles sabiam o que poderia acontecer, por que não fizeram nada para impedir?”, questiona-se o homem, enquanto analisa os sinais que apontavam para a catástrofe ambiental que se seguiu. Como o contínuo desaparecimento da neve (supostamente eterna) em Mont Blanc, na fronteira entre França e Itália, no ano de 2008.

Ao misturar ficção com documentário, a diretora busca personagens reais em diferentes continentes para ensinar que é responsabilidade de cada indivíduo evitar a catástrofe.

Um dos mais interessantes é o empreendedor indiano Jeh Wadia. Com o discurso “todos têm direito a viajar de avião”, ele pretende baratear o preço das passagens de sua empresa para que todo o indiano possa voar. Franny não condena Wadia, mas deixa claro ao espectador que ele não tem a menor preocupação com o impacto causado pela emissão de carbono de seus aviões, que levarão mais de um bilhão de pessoas pelos céus.

A diretora prefere guardar as críticas mais contundentes para as empresas petrolíferas, em especial a Shell. Conversando com a população local de uma vila nigeriana, Franny retrata o descaso da companhia com o entorno de suas instalações. Polui o rio com óleo (o que obriga os moradores a lavar seus peixes com sabão em pó para conseguir comê-los) e, em determinado momento, ainda é acusada de participar indiretamente de um massacre.

Longe de ser um documentário metódico e alarmista sobre o fim do mundo, A Era da Estupidez é um mosaico de histórias e diagnósticos que cumpre o papel de informar o espectador. Como documentarista, Franny tropeça algumas vezes e peca na edição final, com recortes pouco interessantes e cenas que nada acrescentam à discussão.

No entanto, o propósito do filme está lá: instigar o público a exigir que cada nação reduza as emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa, para que a temperatura do planeta não aumente 2º C. Afinal, com tanto progresso, “o ser humano não pode evoluir para o suicídio”, diz uma das personagens.

Distribuído no Brasil pela MovieMobz, o filme será exibido em sessão única nos cinemas de onze cidades brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Salvador, Fortaleza, Juiz de Fora, Curitiba, Santos e Porto Alegre. Para informações sobre as sessões, acesse: www.moviemobz.com/aeradaestupidez

A cerimônia principal de lançamento de A Era da Estupidez será realizada em Nova York, apresentada pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan e pela atriz Gillian Anderson (Arquivo X). A noite terá ainda show de Thom Yorke, vocalista do Radiohead. Os produtores esperam que toda a energia utilizada no evento resulte em apenas 1% do carbono normalmente emitido em uma pré-estreia tradicional.

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