Henry (Patrick Chesnais), recém aposentado e algo entediado, é o patriarca do clã Celliers, mas é sua esposa Mady (Charlotte Rampling) quem parece comandar a casa e os filhos já crescidos, Antoine (Pascal Elbé), Alice (Mathilde Seigner) e a jovem Annabelle (Sophie Cattani).
O herdeiro mais velho dirige uma pequena fábrica de arroz, praticamente falida. Como o dinheiro para abrir o negócio lhe foi dado pelo pai, Antoine tem medo de contar suas penas à família e vive escondendo a situação da empresa. Alice é outra que mal consegue pagar as contas. Artista plástica, ela mora e trabalha em um apartamento cedido pelo pai. Dona de uma obra original e de difícil digestão, divide seu tempo entre drogas, amores fugazes e brigas com o irmão. A caçula Annabelle é quem detém algum auto-controle; trabalha como enfermeira em um hospital da cidade e mantém um caso com um médico casado. Carrega sempre consigo um punhado de cartas de tarô e, à sua maneira, tenta dissipar a tensão evidente entre seus parentes, aumentada pelo humor ranzinza e ácido de Mady.
Mas a “paz” dos Celliers será abalada após a aparição do policial Jacques (Olivier Marchal), deprimido e casado com uma mulher a quem não ama. É a partir desse encontro particular que os personagens serão obrigados a enfrentar seus medos para superar os fantasmas do passado. Esse caminho rumo ao crescimento será regado por trilha melancólica, às vezes excessiva, alguns excelentes diálogos, boa atuação do elenco e um final copiosamente feliz.
