08/06/2026

Num futuro, depois de um acidente, um cientista perde seu filho pequeno. Ele constrói uma réplica em laboratório, e trata o robô como se fosse de verdade. No entanto, ele abandona o menino que embarca numa jornada em busca de sua humanidade.

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Com quase 60 anos de idade, o personagem japonês Astro Boy é um dos mais famosos da cultura pop da segunda metade do século passado. Criado em 1951, seis anos depois da bomba atômica ter sido jogada no Japão, por Osamu Tezuka, e lançado na forma de mangá, o personagem sobreviveu a diversas mudanças ao longo dos anos. Passou pela televisão, em preto e branco, depois em cores, até chegar a essa animação norte-americana, dirigida por David Bowers (um dos codiretores de Por água abaixo). O apresentador Rodrigo Faro dubla o protagonista na versão nacional.
 
O filme serve muito bem como uma introdução ao personagem e o começo de uma provável franquia. A história se passa num futuro determinado, quando a Terra se tornou apenas depósito de sucata – robôs e peças que não funcionam mais – enquanto as pessoas ricas moram numa pequena ilha que flutua acima do planeta.
 
O pequeno Toby é o filho de um cientista escrupuloso e talentoso, o Dr. Tenma. Um dia, o garoto morre acidentalmente num dos experimentos de seu pai – a figura materna nunca é mencionada. À lá Dr Frankenstein, o cientista constroi um pequeno robô com a mesma aparência de seu filho. Para que o menino ganhe vida, ele coloca dentro da pequena criatura um material conhecido como núcleo azul.
 
O robô ganha vida e o pai o ama como seu antigo Toby. Ele é bonzinho e fisicamente idêntico ao seu filho, mas sua personalidade é um tanto diferente. Assim, o Dr. Tenma resolve abandoná-lo para viver uma jornada sozinho, em busca da sua humanização – algo bem parecido com a história de Pinóquio.
 
A fábula italiana, no entanto, não é a única referência aqui. Bowers inspira-se em sucessos recentes, como Wall-E e Robôs, para ter certeza de que irá se comunicar bem com as crianças de hoje, que cresceram assistindo a filmes da Pixar e afins.
Em suas aventuras, Astro Boy virá para a Terra devastada, onde robôs e humanos não vivem em harmonia. Um grupo das máquinas prega a Robolução - uma espécie de revolução comunista liderada por robôs. Nem tudo é o que parece ser. Alguns humanos podem ser amigos, outros, nem tanto.
 
Voltado para crianças pequenas, Astro Boy aposta numa história bastante movimentada e uma animação bem colorida. Sua narrativa, um tanto simples, apesar dos temas complexos que tenta abordar, não deve agradar muito aos adultos que cresceram vendo as aventuras do personagem.
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