19/07/2026

Menino pobre e filho de uma família dividida de Brownsville, Brooklyn, Mike Tyson escapa de uma adolescência marcada pelo crime para tornar-se um talento promissor do boxe, sob a proteção do treinador Cus D'Amato. Depois da morte deste, torna-se o mais jovem campeão dos pesos-pesados, aos 20 anos, e tem carreira vertiginosa - e também marcada por grandes desastres.

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Diretor de ficção conhecido por filmes como Preto e Branco (99), embora sem nenhum grande sucesso em seu currículo, o norte-americano James Toback tem o grande momento de sua carreira justamente em seu primeiro documentário, Tyson.
 
Realizado em 2008, o filme recebeu o prêmio Coup de coeur da mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes naquele ano. O documentário é um dos mais completos perfis do boxeador Mike Tyson, que conhece Toback há muito tempo. Por essa proximidade, o lutador revela-se diante da câmera com uma franqueza raras vezes vista antes. Dispõe-se a falar mesmo dos momentos mais tristes e embaraçosos de sua vida sem qualquer censura.
 
Fazendo bom uso de numerosas cenas de arquivo, o filme detalha a vertiginosa trajetória do menino pobre, nascido em Brownsville, Brooklyn, em 1966, numa família pobre, dividida e instável. Tornando-se ladrão e delinquente juvenil, tudo indicava que Tyson não sairia da vida do crime. Salvou-o o talento com os punhos, identificado por Cus D’Amato – que, além de ser seu primeiro treinador, transformou-se numa figura paterna, levando-o para viver em sua própria casa, com sua mulher e filhos.
 
Venerado por Tyson até hoje, D’Amato não viveu, porém, para ver a glória do pupilo, que se tornaria o mais jovem campeão dos pesos-pesados ao vencer Trevor Berbick, em 1986 – um ano depois da morte do treinador.
 
Lutador agressivo, que extravasava sua fúria interior nocauteando os adversários, Tyson nunca resolveu seus problemas emocionais. Essa fragilidade, aliada à associação com empresários gananciosos – como o famoso Don King – terminaram por brecar o sucesso do boxeador.
 
É com bastante sinceridade que ele mesmo examina os piores momentos de sua vida, como o casamento fracassado com a atriz e modelo Robin Givens; sua prisão depois de condenado por um estupro, em 1993; e o incidente da mordida na orelha de Evander Holyfield, em 1997, que lhe custou uma suspensão do esporte.
 
Num claro exercício de autocrítica, o lutador deixa claro que não culpa ninguém por seus desastres, nem pelo declínio em sua carreira, a não ser ele mesmo. Seus depoimentos, que intercalam as imagens de arquivo, são tão fascinantes que mesmo quem não tenha o menor interesse por boxe pode sentir-se atraído pela verdade humana que o filme registra.
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