Agora, em Tempo de Recomeçar, ele é George, um projetista de uma firma de arquitetura, responsável pela confecção das maquetes que antecedem a construção de casas e prédios. Reservado e perfeccionista, ele despreza a ajuda de computadores e prefere erguer, manualmente, peça por peça, suas miniaturas de sonhos. Com uma casamento desfeito e um filho adolescente problemático, ele ainda não sabe que o pior está por vir.
Por ser avesso às inovações tecnológicas e gastar muito tempo no preparo de suas miniaturas, George dá ao seu chefe o pretexto que ele precisava para demiti-lo, depois de décadas de trabalho. A reação de George à notícia é digna do comportamento dos enfurecidos operários ingleses com a chegada das máquinas a vapor em plena Revolução Industrial. Mas não há como não simpatizar com sua solitária mas sincera demonstração de caráter.
Vítima de um desmaio ao deixar o prédio, descobre ao recuperar a consciência no hospital que está com os dias contados. O câncer já lhe rouba os últimos meses de vida. Para tentar corrigir os erros do passado busca agora reconquistar o amor do filho rebelde, levando-o para passar um período em sua casa, à beira de um penhasco com cinematográfica vista para o mar. Só que o imóvel está em frangalhos e necessitando de uma reforma completa.
Como indica o nome original do filme (A Life as a House), George pede ao filho que o ajude a demolir aquela casa e reconstruir outra em seu lugar, dando todas as indicações de que ambos estariam reconstruindo suas próprias vidas. O grande problema é que Hayden Christensen, que interpreta o filho, Sam, não consegue convencer no papel do jovem arredio que ainda guarda muitas mágoas de um pai que quase não conheceu. Seus parcos recursos dramáticos, já evidenciados em Star Wars: Episódio II - Ataque dos Clones, prejudicam um tour de force indispensável à situação.
A caracterização de Kline é muito convincente e, com o desenrolar do filme, é nítido seu abatimento e esgotamento físico. Pena que o roteiro, nesse ponto, passe a despejar baldes de melodrama em cima da platéia, estragando o que poderia ser uma boa e honesta sessão da tarde de TV.
Cineweb-6/9/2002
