03/06/2026
Drama

O grão

Perpétua e o neto Zeca são muito ligados. Mas ela decide que é hora de prepará-lo para a sua morte. O casal Josefa e Damião faz um esforço extraordinário para ajudar a realização do casamento da filha Fátima. Realidade e poesia se misturam.

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Realizado em 2007 e percorrendo uma série de festivais, inclusive internacionais, como Viña del Mar (Chile), onde obteve o prêmio de melhor filme, o drama O Grão é a estréia em longas do diretor cearense Petrus Cariry.
 
Curta-metragista respeitado e premiado, por trabalhos como A velha e o mar (2005) e Dos restos e das solidões (2006), Petrus parte de um roteiro de seu pai, o também cineasta Rosemberg Cariry, com a colaboração do próprio Petrus e de Firmino Holanda. Um dos mais respeitados representantes do cinema nordestino, Rosemberg é diretor da ficção Siri-Ará (2008) e do documentário Patativa do Assaré – Ave Poesia (2009).
 
Em O Grão, a protagonista é Perpétua (a atriz de teatro Leuda Bandeira). Muito ligada ao neto Zeca (Luís Felipe Ferreira), a velha senhora decide prepará-lo para a possibilidade de sua morte, contando-lhe fábulas,como a de um rei e rainha muito ricos, que perderam o filho e fazem de tudo para tentar trazê-lo de volta à vida.
 
Num ambiente rural e despojado, esse relacionamento entre avó e neto que se desenvolve através das palavras e da imaginação encontra um contraponto no esforço de um modesto casal de pais, Damião (Nanego Lira) e Josefa (Verônica Cavalcante) para preparar o casamento da filha, Fátima (Kelvya Maia).  
 
As duas histórias vão se entrelaçando numa narrativa segura, sempre enxuta e econômica, que aposta muito na riqueza visual da fotografia de Ivo Lopes Araujo, bem como no apuro do som (de Danilo Carvalho) e da trilha sonora de Liduíno Pitombeira. É uma estreia promissora. Esperemos mais filmes deste diretor sensível e arrojado.
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