Também no Brasil, muitas jovens foram imbuídas por esse espírito e começaram a assumir papéis que, até então, eram exclusividades masculinas. Uma delas foi Anésia Pinheiro Machado (1906-1999), a primeira mulher a pilotar um avião no Brasil. No documentário Anésia - Um Vôo no Tempo, de Ludmila Ferolla, a história da aviação se mistura à do país e à da emancipação feminina.
De formato bem tradicional e apoiado principalmente em depoimentos e fotos da pioneira, a fita faz uma contextualização bem marcante, ao inserir também imagens da cidade de São Paulo nas década de 20 e 30. Bondes, transeuntes de chapéus, ruas de paralelepípedos e cruzamentos famosos, dão um ar nostálgico ao filme. A Revolução de 24, da qual Anésia participou, jogando flores e panfletos de seu avião - e que a levou à prisão - teve considerável espaço na trama.
Ao mesmo tempo que aviação atraía multidões e os pilotos eram considerados verdadeiros heróis, a mulherada vestia seus novos maiôs vermelhos, sacava cigarros e invadia a mídia. Atitudes bastante ousadas, inspiradas nas heroínas das histórias românticas, mas que se fizeram fundamentais às conquistas femininas na sociedade brasileira. Anésia ilustra tantas outras pioneiras que se dedicaram a um sonho e a um ideal de vida. Nós, mulheres, agradecemos.
