06/06/2026
Drama

Haifa

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"A paz esteja com você" é a frase mais proferida pelos palestinos do assentamento de Haifa. Rodado em 1996, antes da nova intifada iniciada em 28 de setembro de 2000, Haifa ainda colhe bons bocados de esperança que, hoje, se desfazem e se transformam em ódio a cada morte assinada pelo exército israelense. O grande mérito da fita é, através de diferentes histórias, mostrar um pouco da vida das pessoas em um campo de refugiados. Trivialidades como futebol e algodão doce, que lá eles chamam de cabelo de anjo, servem de pano de fundo para a esperança de alguns e a descrença de outros.

A trama central gira em torno da família de Abu Said, um ex-policial que para ganhar a vida vende algodão doce. O filho mais velho está prestes a deixar a cadeia e a mãe, Om, luta para lhe conseguir uma noiva. O otimismo de Abu contrasta com o pensamento do filho mais novo que se recusa a acreditar na promessa de paz. A caçula da família, Sabah, divide o tempo entre os desenhos e os encontros às escondidas com um dos meninos do local, mas sonha com um futuro melhor.

O melhor personagem do filme é Haifa, um amalucado que perambula pelo assentamento repetindo incansavelmente as palavras "Haifa, Jafa, Aca!" (localidades palestinas). Conhecido pelo apelido da cidade que existia antes da ocupação israelense, o louco é bastante lúcido nos ácidos comentários que dispara contra a condição daquelas pessoas. Sem comprometimento algum, a figura vive no que restou de um ônibus e é bastante querido por todos. Sua tia é também bastante emblemática. Sozinha e doente, ela recebe apenas as visitas de Haifa, já que os filhos estão espalhados entre Síria, Líbano e Canadá. Assim como Promessas de um Novo Mundo, Haifa humaniza as principais vítimas do conflito no Oriente Médio, uma ficção que imita a vida de gente sofrida que nada mais quer que seu direito à identidade, tomado pelos ocupantes.

Cineweb-1/5/2002

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