A trama central gira em torno da família de Abu Said, um ex-policial que para ganhar a vida vende algodão doce. O filho mais velho está prestes a deixar a cadeia e a mãe, Om, luta para lhe conseguir uma noiva. O otimismo de Abu contrasta com o pensamento do filho mais novo que se recusa a acreditar na promessa de paz. A caçula da família, Sabah, divide o tempo entre os desenhos e os encontros às escondidas com um dos meninos do local, mas sonha com um futuro melhor.
O melhor personagem do filme é Haifa, um amalucado que perambula pelo assentamento repetindo incansavelmente as palavras "Haifa, Jafa, Aca!" (localidades palestinas). Conhecido pelo apelido da cidade que existia antes da ocupação israelense, o louco é bastante lúcido nos ácidos comentários que dispara contra a condição daquelas pessoas. Sem comprometimento algum, a figura vive no que restou de um ônibus e é bastante querido por todos. Sua tia é também bastante emblemática. Sozinha e doente, ela recebe apenas as visitas de Haifa, já que os filhos estão espalhados entre Síria, Líbano e Canadá. Assim como Promessas de um Novo Mundo, Haifa humaniza as principais vítimas do conflito no Oriente Médio, uma ficção que imita a vida de gente sofrida que nada mais quer que seu direito à identidade, tomado pelos ocupantes.
Cineweb-1/5/2002
