03/06/2026
Suspense

Instinto de vingança

Homem recebe um transplante do coração e passa a sentir-se estranho. O novo órgão comanda sua mente e o leva a cometer crimes.

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Inspirado no conto O coração delator, de Edgar Allan Poe, Instinto de vingança parte de uma premissa surreal: um transplantado que começa a receber ordens criminosas do coração que acabou de ser colocado em seu corpo.  
 
O viúvo Terry Bernard (Josh Lucas, de Juntos pelo acaso) tem vários problemas: entre eles um coração prestes a parar e uma filha com uma doença degenerativa (Beatrice Miller, de Os delírios de consumo de Becky Bloom). As coisas deveriam melhorar quando ele recebe um novo coração, mas não é o que acontece.
 
Sem saber o motivo, Terry começa a ser guiado pelo órgão transplantado, que faz com que ele mate as pessoas envolvidas no assassinato do doador. Assim, ciência e lógica são jogados pelo ralo no roteiro de Dave Callaham (Os mercenários), que parece dever mais a Dívida de sangue, um policial competente dirigido e estrelado por Clint Eastwood em 2002, do que ao original de Poe.
 
O diretor Michael Cuesta, que exibe no currículo alguns episódios da série True Blood, parece desconhecer a palavra sutileza e insiste nos exageros, com resultados risíveis. Toda vez que o coração está no comando, por exemplo, o áudio é de batidas cardíacas e as feições de Terry mudam.
 
Para tentar segurar o filme, a história se encarrega de meia dúzia de pistas falsas, que introduzem toques de suspense morno. Personagens como a namorada médica de Terry, Elizabeth – vivida por Lena Headey, de 300 – e o investigador Phillip (Brian Cox, de Zodíaco), tornam-se suspeitos, para proporcionar algum seguimento à trama.
 
Se Cuesta e Callaham não se levassem tão a sério, o filme teria mais a ganhar. O que também aconteceria se houvesse menos truques e exageros visuais.  
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