Dirigido pela estreante Maya Da-Rin, o documentário Terras acompanha a vida na tríplice fronteira entre o Brasil, Peru e Colômbia, na região da Amazônia. Num processo de imersão, o longa acompanha o dia-a-dia de moradores da região, onde o conceito de fronteira parece não existir.
Os moradores da região transitam livres entre as cidades gêmeas de Letícia (Colômbia) e Tabatinga (Brasil), deixando de lado o conceito geopolítico que delimita os paises. Nesse contexto, Maya e sua equipe encontram personagens interessantes, como a índia Basília, que fala sobre costumes e tradições, além de problemas que os nativos enfrentam. Taxistas e barqueiros descrevem as vantagens e desvantagens do ir e vir.
O que há de mais rico são os personagens que a diretora encontrou, dando voz a eles. Sem cair numa armadilha de fazer um filme antropológico, Maya concretiza um trabalho vibrante de investigação sobre o ser humano e o seu relacionamento com a natureza e a sociedade que o cerca.
Ao fazer esse retrato dessa região tão distante dos centros urbanos, a diretora medita sobre o que é ser um latino-americano e como o Brasil – o único país a não falar espanhol no continente – se relaciona com os demais. Esse questionamento é complementado por imagens da natureza que são poéticas e bonitas sem muito esforço.
