O cantor adolescente canadense Justin Bieber decididamente não dá sorte com as mulheres. Na semana passada, viu seu sonho de conquistar o Grammy de artista revelação destruído pela contrabaixista e cantora de jazz Esperanza Spalding. Nesta sexta, duelará com a brasileiríssima Deborah Secco nas telas de cinema. Seu filme Justin Bieber: never say never competirá com “Bruna Surfistinha”, que estreará com 315 cópias, contra 280 do astro precoce (200 em 3D, 80 convencionais, todas dubladas). E tudo isso a poucos dias de completar 17 anos (1º/3), em pleno inferno astral.
Em comum, não apenas datas de estreia no cinema. Bieber e Bruna Surfistinha são frutos da internet. Celebridades instantâneas com prazo de validade não muito longo, ambos surgiram por conta de vídeos no Youtube e um blog. Ou seja, sem internet, eles não seriam famosos. São fenômenos dos tempos modernos, em que a fama é contada em cliques e não em apenas 15 minutos.
Não se espere uma radiografia do fenômeno musical – o filme foi comparado a uma commodity pela revista Time Out nova-iorquina –, mas apenas um bem-cuidado espetáculo musical recheado de cenas do cantor fora do palco e de fotos e filmes de infância, de certa forma premonitórios de seu futuro, como os que o mostram ainda menino, tocando bateria. É apenas mais uma ação de marketing para manter o astro em evidência.
Os fãs, predominantemente garotas da mesma faixa etária, suspiram e choram durante seus shows, como os filmados em sua última turnê e no Madison Square Garden de Nova York, que serviram de base para o documentário dirigido por Jon Chu.
A mensagem do filme para seu público é “nunca desista de seus sonhos”, como o próprio Justin insistiu pelo twitter, como parte da campanha de lançamento. Ele próprio é a concretização de um sonho. Filho de uma mãe solteira que postava seus vídeos no Youtube, Justin foi descoberto pelo agente Scooter Braun, que o apresentou a Usher, a sensação do R&B, que o apadrinhou na gravadora Island Records, onde começou sua carreira profissional. A partir de então, deu-se a explosão que todos conhecem. Usher aparece em várias cenas do filme.
Entrecortam-se cenas pessoais e de bastidores com o garoto brilhando no palco e meninas histéricas na plateia. O pai do garoto, Jeremy Bieber, é uma espécie de figura decorativa, que aparece por alguns minutos, chora quando vê o filho no palco, e nunca mais se ouve falar dele. Na sua cidade natal, o menino joga basquete com seus colegas e reza antes de comer uma pizza. É o complemento para a mensagem de bom-mocismo que o cantor quer exalar por todos os poros.
O filme custou relativamente barato – apenas US$ 13 milhões – e conseguiu se pagar no fim de semana de abertura, nos Estados Unidos, quando faturou US$ 29,5 milhões. Mas, mesmo na estreia, ficou em segundo lugar, ultrapassado por Esposa de mentirinha, que faturou US$ 1 milhão a mais. Na semana seguinte, o filme já caiu para o quarto lugar.
