04/06/2026
Infantil Animação

Animais Unidos Jamais Serão Vencidos

Um grupo de animais se une contra os humanos que, há anos, destroem os recursos naturais. Nessa luta, encontram um empresário ganancioso que represou a água da região, e, para a conseguir de volta, terão de o enfrentar.

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A animação alemã Animais unidos jamais serão vencidos tem um gostinho amargo de déjà vu. Com personagens que parecem vindos direto de Madagascar, A era do gelo ou Os sem-floresta, essa animação tem título quilométrico e criatividade beirando o zero. Mais parece um pastiche de muito que já se viu no passado e que era bem melhor no original. O filme estreia em cópias convencionais e 3D apenas na versão dublada.
 
Como em Era do gelo, o aquecimento global ameaça o mundo e o habitat de várias espécies, entre elas um leão, uma girafa e uma elefanta, que podiam viver em Madagascar, e também um demônio da Tasmânia, que poderia ser Taz e participar de um desenho chamado Looney Tunes. O urso polar Yasmin podia fazer par com aquele do antigo comercial da Coca-cola e o galo gaulês Pierre não se sentiria deslocado ao lado do elenco de A fuga das galinhas.
 
A falta de criatividade dos personagens, no entanto, seria apenas um detalhe não fosse a ausência também de uma boa história em “Animais unidos...”. Baseado num livro infantil do alemão Erich Kästner, o filme é uma fábula ecológica que carrega no seu discurso e não alivia no humor. Nem o desnecessário 3D faz alguma diferença. O filme não explora as possibilidades do efeito, servindo apenas como pretexto para cobrar ingressos mais caros.
 
A primeira parte da animação parece um filme da dupla mexicana Alejandro González Iñárritu e Guillermo Arriaga, com três grupos de personagens cujas histórias correm em paralelo. Mas, quando se encontram, transformam-se num quase-vídeo institucional do Greenpeace. Quando todos os animais estão juntos, descobrem ter em comum o problema da falta de água, represada por um empresário ganancioso (oh, esses humanos malvados!), dono de um mega-empreendimento no meio do deserto.
 
Billy é um suricato enrolador que tem de provar ao seu filho ser um bicho de valor. Seu amigo, o leão vegetariano Sócrates, tem um trauma do passado, quando abandonou o irmão, que acabou nas garras de um caçador. A segunda história envolve o urso polar, cuja casa é destruída com o aquecimento global. Na companhia de um casal idoso de tartarugas, procura um novo lar. E, por fim, os humanos e sua ganância que destroi a natureza.
 
Com uma história para lá de batida e sem diálogos bem sacados, o que Animais unidos... tem a oferecer são personagens fofinhos – mas isso é o básico em qualquer animação voltada para o público infantil. Então, sobra pouco, bem pouco, a se apreciar aqui.
 
Por outro lado, talvez seja improvável que as crianças pequenas se incomodem tanto assim com a falta de criatividade do filme. Para elas, será como rever velhos amigos do seu passado recente – embora em contexto diferente e com outras companhias. Mas não será de se espantar se alguma delas perguntar pelo peixe Nemo ou o coelho Pernalonga.
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