O documentário Nana Caymmi em Rio Sonata, do franco-suíço Georges Gachot (Maria Bethânia - Música é perfume), faz um retrato impressionista da cantora e compositora brasileira acompanhando-a por um período de seis anos, em shows, gravações do disco “Sem poupar coração” (2008) e conversas informais com a diva.
Esse não é o tipo de documentário em que as pessoas que não conhecem Nana sairão do cinema sabendo mais sobre ela. Bem, saberão um pouco mais, mas não muito mais. O filme centra-se exclusivamente na figura de Nana, seu trabalho em estúdio, suas apresentações. Algumas conversas com o irmão Dori Caymmi, o ex-marido Gilberto Gil e o amigo Milton Nascimento dão pistas sobre a cantora. Mas a maioria delas é sobre a vida profissional.
É curioso que Nana Caymmi em Rio Sonata escrupulosamente evite abordar os amores da retratada, especialmente porque ela mesma diz em cena que tem saudades de amar e precisa estar amando. Pouco se fala dos amores, o quanto eles a inspiraram no trabalho, o quanto foram importantes. O filme de Gachot passa longe de entrar nesse assunto, evitando assim possíveis polêmicas, pois este é um documentário de celebração. Apenas se menciona que ela casou aos 18 anos com um médico venezuelano, foi para o país dele, teve três filhos e voltou para o Brasil, onde retomou sua carreira.
Dorival Caymmi, pai da cantora, morto em 2008, é, obviamente, bastante lembrado e citado no documentário. “Minha mãe falava pra ele: ‘Você é artista da porta pra fora. Aqui dentro de casa você é meu marido e pai dos meus três filhos’”, conta Nana. O filme deixa claro que ela é herdeira de uma grande tradição artística, mas construiu sua carreira por conta de seu talento, seu belo timbre vocal, suas canções.
Nana confessa que, mesmo sendo mulher de Gilberto Gil, nunca olhou a Tropicália nem por dois minutos. “Canto tudo o que gostar. Quero ter liberdade para isso”, explica. Seu timbre rende comparações a Dolores Duran e Billie Holiday, feitas por Erasmo Carlos, com quem gravou “Não se esqueça de mim”, que foi tema de novela.
Televisão, alias, é um assunto recorrente nesse documentário. Nana diz que a canção “Resposta ao tempo” só fez sucesso que entrou para abertura de Hilda Furacão. Mart’nália conta que pára o que está fazendo quando começa a tocar uma música de Nana numa novela. Um fã diz que a cantora é muito requisitada para trilhas de novelas. É nesses momentos, quando Gachot se deixa levar por digressões, que o filme perde seu foco.
