Não é simples fazer humor da situação básica deste filme – mas a diretora e roteirista mexicana Mariana Chenillo consegue a proeza, bem como manter o espectador interessado nas artimanhas de uma mulher, afinal, morta desde o começo do filme.
Nora, uma mulher madura, que foi casada por 30 anos com José Kurtz (Fernando Luján), cometeu suicídio. Um fato que choca o marido e a pequena comunidade judaica a que pertencem. Quase tão intrigante é que Nora planejou a própria morte bem em cima da Páscoa – tendo o cuidado de preparar antecipadamente todos os quitutes previstos para a ocasião, embalados e etiquetados no freezer.
A iminência da festa religiosa cria um impasse: se o corpo de Nora não for sepultado imediatamente, se terá que esperar cinco dias para o sepultamento. Como as providências não são tão simples assim, é para isso mesmo que José se encaminha, a convivência por cinco dias em sua casa com o cadáver da mulher no quarto. Com tudo que isso implica: Poderão embalsamá-la? Como conservar o corpo? Que dizer aos outros?
Passo a passo, José descobre que Nora tinha um plano bem rígido. Mas nem tudo lhe sai tão exato assim. A descoberta de uma misteriosa fotografia numa gaveta leva José a um outro tipo de investigação, permitindo-lhe descobrir várias outras coisas sobre a mulher com quem conviveu por 30 anos. Mesmo morta, Nora foi capaz de revelar mais segredos do que o marido – e ela mesma – imaginariam.
