Alex Lippi, sua irmã e o cunhado têm um negócio inusitado - desmanchar namoros e noivados que, por algum motivo, estejam causando problemas às mulheres. Contratado por seus pais, Alex tem como regra de ouro nunca se apaixonar. Ao entrar num novo caso, porém, ele perde o controle do coração e morre de amores pela bela Juliette - que, de casamento marcado, não quer saber dele.
- Por Neusa Barbosa
- 04/05/2011
- Tempo de leitura 3 minutos
Alex Lippi (Romain Duris) tem uma profissão inusitada – é uma espécie de interventor em romances que estão, de algum modo, prejudicando mulheres. Contratado por alguém ligado a elas, como seus pais, ele se insinua em seu cotidiano, fazendo um jogo de sedução que dura até o momento em que elas decidam romper seus respectivos relacionamentos em favor de Alex. Nessa hora, ele já tem um número montado para dar o fora.
Lippi é o anti-heroi por trás da comédia romântica francesa Como Arrasar um Coração, primeiro longa do diretor Pascal Chaumeil, ex-assistente de Luc Besson (O Quinto Elemento) e Olivier Assayas (Carlos), que fez um enorme sucesso na França e já tem refilmagem norte-americana acertada. Partindo de uma idéia original de Laurent Zeitoun, um dos roteiristas, o filme é movimentado, passa-se em belos cenários, como Marrocos, Mônaco e Nice, e tem na atriz e cantora Vanessa Paradis, a senhora Johnny Depp, sua protagonista feminina.
Interpretando a milionária Juliette van der Becq, Vanessa transforma-se no maior desafio da carreira do sedutor profissional. Contratado pelo pai dela (Jacques Frantz), Alex só tem dez dias para destruir o noivado da moça com um inglês rico, bonito e bem-educado, Jonathan (Andrew Lincoln), por quem ela está totalmente apaixonada. Interferir em relações felizes transgride o próprio código de ética de Alex, mas ele é obrigado a aceitar a missão por estar devendo muito dinheiro a agiotas bandidões.
Para começar, Alex tem de impor sua presença à moça como motorista e guarda-costas – o que não é nada simples, já que ela desconfia que o pai o colocou em seu caminho. Juliette faz de tudo para enganá-lo e fazê-lo perder sua pista, o que muitas vezes consegue. Para piorar, por algum motivo ela não o suporta. Pior ainda, ele viola sua regra número um e se apaixona perdidamente por Juliette.
Balançado em seus sentimentos, Alex tem dois desafios – não só levar a moça a romper um noivado com um partido que parece perfeito, como induzi-la a trocá-lo por ele, pobretão e confuso. Decidido a um tudo-ou-nada, ele se esmera em usar todos os conhecimentos que acumulou sobre as preferências de Juliette – como sua fixação na canção Wake me Up Before You Go-Go, do Wham!, e, mais ainda, pelo filme Dirty Dancing.
Uma das sequências mais engraçadas, aliás, sai de uma imitação da principal sequência de dança daquele filme, interpretada naquela época por Patrick Swayze e Jennifer Grey. Muito do melhor humor desta comédia surge de situações físicas em que Alex geralmente leva a pior. Algumas delas são provocadas pelas intervenções da aloprada amiga de Juliette, Sophie (Helena Noguerra), uma ninfomaníaca que fica obcecada pelo falso guarda-costas e invade seu quarto disposta a tudo.
Na sombra da atuação de Alex, sobram bons momentos para seus sócios no negócio, sua irmã Mélanie (Julie Ferrier) e seu marido, Marc (François Damiens), que se fazem passar por motoristas, camareiros, eletricistas e o que mais for preciso para o bom desempenho do rapaz, dando ao filme às vezes um toque de história de espionagem. O cunhado, especialmente, protagoniza divertidas confusões com Sophie.
Se há uma qualidade em Como Arrasar um Coração é sair do cardápio batido do gênero, especialmente na cartilha de Hollywood, tomando emprestado um certo charme das aventuras à la James Bond. Mas o ponto forte mesmo é a versatilidade do ator Romain Duris, uma espécie de cruzamento de Charlie Chaplin com Peter Sellers, verdadeiramente impagável.
