04/06/2026
Fantasia Aventura

Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas

Jack Sparrow está em busca da fonte da juventude, mas terá de enfrentar uma forte concorrência, que inclui uma bela pirata chamada Angélica.

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Não se trata de uma hipótese. O que a experiência da indústria de cinema americana prova e a bilheteria confirma é que nem mesmo o mais carismático dos personagens resiste a uma franquia maior que três filmes. Basta ver o triste fim de Shrek, Jogos Mortais, Resident Evil, Alien, O Exterminador do Futuro, Indiana Jones, entre outras longevas bobagens assumidas, como Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo.

Em determinado momento, o público se cansa do “mais do mesmo” e pode até se ressentir com a falta de cuidado com que seus personagens que viraram ícones são descaracterizados, produção após produção. Embora Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas, o quarto da série e desta vez em 3D, ainda tenha fôlego, já mostra sinais claros de que o bote parece pequeno demais para o arredio mar em que navega.

Nesta sequência, Johnny Depp volta a interpretar o excêntrico capitão Jack Sparrow, o grande responsável pelo sucesso da série. Com a mistura de humor pastelão e ironia (lembre-se, aqui, graças à liberdade do ator em moldar seu personagem), o então coadjuvante roubou a cena do par romântico (interpretado por Orlando Bloom e Keira Knightley) já no primeiro filme e se impôs absoluto no papel de protagonista.

Com o triângulo amoroso pra trás, o pirata se volta a uma nova aventura, desta vez, para encontrar a famosa fonte da juventude, como anunciado no final do filme anterior. No entanto, ele não estará sozinho na empreitada. Concorrem com ele seu rival, o capitão Barbossa (Geoffrey Rush), a mando do Rei George da Inglaterra, o exército do rei espanhol Fernando, e a bela pirata Angélica (Penélope Cruz), cujo pai é o temido Barba Negra (Ian McShane, de O Aprendiz de Feiticeiro).

Depois de ser enganado por Angélica, com quem teve um romance, Sparrow é obrigado a embarcar no enfeitiçado navio de Barba Negra, o “Vingança da Rainha Ana” e sua tripulação de zumbis, onde deverá ajudá-los a encontrar o paradeiro do tal mito. Para isso, eles deverão, mais do que saber a localização, encontrar os ingredientes para um misterioso ritual envolvendo sereias e o lendário tesouro do explorador espanhol Ponce de León.

As invenções dos roteiristas Ted Elliott e Terry Rossio, que até então vinham dando certo, se perdem nesta produção. Embora acertem nos diálogos, em especial de Sparrow e Barbossa, deixaram de lado as vertiginosas sequências de combate entre navios que, no fim, dão alma aos filmes de piratas. Ao contrário, dão preferência a raros combates em terra, invariavelmente em cenas escuras, onde os efeitos especiais perdem vigor

Não deixa de ser curiosa a escolha do diretor Rob Marshall, que levou os musicais Chicago e Nine para o cinema, e também responsável pelo caricatural Memórias de uma Gueixa. Embora competente, fica a dúvida se foi a escolha acertada para levar a cabo um filme que exige agilidade contínua e uma visão inovadora na forma e conteúdo.

Com uma participação discreta da atriz Judi Dench e do rolling stone Keith Richards (que inspirou o personagem de Depp), o que resta de Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas é, mais uma vez, a desfaçatez do protagonista e pontuais cenas de humor. Mesmo Penélope Cruz não se destaca com um fraco papel.

O que se sente ao final da projeção é que o milionário produtor Jerry Bruckheimer (responsável também pelas franquias Bad Boys e, na TV, os múltiplos CSIs) pretende espremer todo o sumo da laranja, mesmo que, com isso, o suco fique com gosto de bagaço.

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