Há algumas semanas, um evangelista norte-americano disse que o fim do mundo ocorreria em 21 de maio. Quando o dia terminou, e o mundo não, ele mudou a data: 21 de outubro. Se falhar novamente, uma profecia maia dá conta de que de 21 de dezembro de 2012 o planeta não passa. Munido dessa ideia, o jornalista norte-americano Daniel Pinchbeck escreveu um livro sobre o assunto, 2012 – O ano da profecia maia. O diretor brasileiro João Amorim o leu e achou que ali estava escondido um documentário. A dupla, Pinchbeck nas entrevistas e Amorim na direção, ouviu pessoas ligadas a movimentos ecológicos em várias partes do mundo e o resultado é o documentário 2012 – Tempo de mudança.
Quando o assunto é ecologia ou, para usar a palavra do momento, sustentabilidade, todos são especialistas em sugerir mudanças e transformações. Vale até aquele slogan que foi sucesso em camisetas, especialmente na década de 1990: “Pense global, aja local”. O filme não dá essa sugestão, mas chega bem perto. Pessoas que testaram suas teorias no quintal de casa falam empolgadamente de como suas práticas podem mudar o mundo.
Celebridades dão suas sugestões e explicam como contribuem para mudar o planeta. O
cineasta David Lynch, por exemplo, fala de sua meditação transcendental – assunto que já rendeu um documentário lançado há pouco. A atriz Ellen Page conta sua experiência numa comunidade onde aprendeu, entre outras coisas, a fazer queijo. Já o roqueiro Sting (o eterno garoto-propaganda da causa amazônica) explica como sua vida foi transformada por um xamã e uma bebida quando esteve no Rio de Janeiro.
Amorim – filho do diplomata Celso Amorim e irmão de outro cineasta, Vicente Amorim (Um Homem Bom) – parece encantado demais com as teorias, entrevistados e, acima de tudo, com Pinchbeck. Por isso, o filme carece de um distanciamento crítico. Ao longo de quase uma hora e meia, o documentário é um panfleto a favor de uma boa causa – salvar o mundo, até porque a profecia maia é simbólica.
Repleto de boas intenções 2012 – Tempo de mudança espalha aqui e ali sementes para transformar o planeta. É tudo muito bonito e romântico, mas com cara de especial de TV.
