A improvisação é, por esse princípio, um imperativo para muitas produções, que se salvam pela competência dos intérpretes por trás dos personagens. No ano passado, foi o que se pode perceber em Uma Noite Fora de Série,com Tina Fey e Steve Carell,Gente Grande, com Adam Sandler, e, agora, Quero Matar Meu Chefe, de Seth Gordon, conhecido por dirigir bem-sucedidas séries televisivas cômicas, como Modern Family e The Office.
Embora esta produção tenha um roteiro redigido a seis mãos (John Francis Daley, Jonathan M. Goldstein e Michael Markowitz, todos vindos da TV), quem traz agilidade ao que se vê na tela são os atores, cuja liberdade para recriar o texto (encorajados pelo próprio diretor) é transparente. Prova disso são os inúmeros erros de gravação mostrados durante os créditos finais.
Não demora muito para os três chegarem à conclusão de que seus chefes devem morrer, a partir de uma divertida referência aos filmes Pacto Sinistro (de Alfred Hitchcock) e do divertido Jogue a Mamãe do Trem (de Danny DeVito). Isto é, para evitar suspeitas, cada um se compromete a matar o chefe do outro.
O problema desse “crime perfeito” é a completa inépcia dos protagonistas para arquitetar um assassinato. É nesse momento que entra em cena o “consultor” Dean 'MF' Jones (participação especial de Jamie Foxx), cujo nome completo é um palavrão impronunciável aqui. Mas, como é de se esperar, muito pouco vai dar certo para a trupe de trapalhões.
A combinação dos diferentes estilos de Bateman, Day e Sudeikis equilibram o humor da produção que, somado às divertidas interpretações de Spacey, Aniston e Farrell, dão vigor à comédia. Embora em muitas cenas os diálogos descambem em baixarias, especialmente aquelas proferidas por Julia e Bobby, no fim, tudo se torna mais leve pela total falta de escrúpulos de que os atores dotam aos seus personagens.
Uma curiosidade da produção é a máxima proferida por Kurt: “Você não pode vencer uma maratona sem colocar sem colocar band-aids nos bicos do peito”. A princípio sem sentido, mesmo dentro do filme, quem assistiu aos episódios da série The Office poderá entender a referência ao personagem Andy Bernard (Ed Helms), quando disputou uma maluca maratona pró-combate à raiva.
Quero Matar Meu Chefe, enfim, mostra-se uma comédia ágil, moldada a partir de referências e da certeza de que seus intérpretes são espontâneos o suficiente para potencializar o riso. O diretor Seth Gordon acerta na condução do elenco, à vontade para perder completamente o senso do ridículo.
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