04/06/2026
Musical Documentário

Glee 3D - O filme

Documentário traz as apresentações do elenco da telessérie "Glee". A turnê aconteceu nos Estados Unidos em 2011.

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Embora tivesse assinatura do produtor Ryan Murphy, o cérebro por trás do bem-sucedido Nip/Tuck, poucos poderiam prever o sucesso que a série de TV Glee teria em sua primeira temporada (2009). Antes mesmo dela acabar, em junho de 2010, seus personagens eram os mais imitados, sua trilha sonora a mais procurada na web e outros programas passaram a apresentar o chamado “efeito glee”, em que personagens soltavam a voz, como ocorreu em House e Grey’s Anatomy.
 
Mas como uma série sobre um grupo de coral formado pelos “losers” (perdedores) de uma escola em Ohio (EUA) se transformou em fenômeno mundial? Murphy expõe a resposta de forma transparente em Glee 3D – O Filme.
 
Embora se apresente como documentário sobre os bastidores do show do grupo de coral Novas Direções, o conteúdo mostra outra coisa. O que o produtor nos traz é, na verdade, uma mistura de músicas e histórias de pessoas que melhoraram de vida inspiradas pelo programa.
 
Um caso emblemático é o do adolescente gay que enfrentou o preconceito sofrido em sua escola graças ao personagem Kurt (Chris Colfer), que passa por um tormento similar na série. Pode parecer exagero, mas a história faz sentido. Pelo papel, o ator recebeu o Globo de Ouro em 2009 e foi incluído na lista dos 100 rostos mais influentes do mundo de 2011 da revista Time. E Murphy sabe muito bem como explorar isso.
 
Mas o ponto forte mesmo são as músicas cantadas pelo grupo, que incluem dos hits atuais, como “Born This Way” (Lady Gaga), aos clássicos como “Somebody to Love” (Queen), que na voz deles tornam-se atemporais. Basta ver milhares de crianças, adolescentes e adultos cantando com Rachel (Lea Michele), “Don't Rain On My Parade”, do musical “Funny Girl”, de 1964.
 
E apesar de algumas pessoas torcerem o nariz para grupos de coral, o elenco de Glee faz seu papel muito bem. Tanto é que bateu o recorde de Elvis Presley com o número de singles na lista das 100 músicas mais populares da Billboard. A série musical emplacou 113 faixas e bateu a marca estabelecida pelo rei do rock, que registrou 108 sucessos no ranking.
 
No fim, há pouco espaço para os atores falarem algo para os fãs e, quando isso acontece, eles estão na pele de seus personagens. Portanto, quem quer um pouco de verdade, aqui, pode esquecer. Eles só contam algumas piadas, algumas um tanto discutíveis sobre como os peitos da estonteante Brittany (Heather Morris) aparecerão em 3D. Aliás, ela é a protagonista da mais sensual de todas as apresentações ao cantar “I'm A Slave 4 U”, de Britney Spears.
 
Embora o filme traga uma benvinda participação especial da atriz Gwyneth Paltrow, cantando “Forget You” (de Cee Lo Green), deixou de fora dois de seus principais atores: Matthew Morrison (o professor Will Schuester) e Jane Lynch (a temida treinadora Sue Sylvester), que teve suas cenas deletadas na ilha de edição. Outra falha é a incômoda versão dublada, em que as vozes não combinam em nada com os personagens.
 
Com a terceira temporada da série prestes a estrear (nos EUA, 20 de setembro), Glee 3D – O Filme prova o seu vigor, que produziu até um reality show, o Glee Project, cujo prêmio era justamente fazer parte do elenco. Fica claro que o produtor quer extrair todo o suco do limão antes que ele amargue, tal como aconteceu em Nip/Tuck.
 
Mesmo com a impressão de que se trata apenas de jogo de cena, Murphy acerta em seu programa em mostrar que a intolerância é intolerável não só para as vítimas. Esse é o grande valor ao qual os fãs em todo o mundo se apegam.
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