“Desejo [de grávida] na cadeia dá e passa porque a gente está presa e não pode ter desejo”, diz uma das entrevistadas de Leite e Ferro que, em 2010, ganhou o prêmio de melhor documentário no Festival de Paulínia. O filme tem como centro o Centro de Atendimento Hospitalar à Mulher Presa (CAHMP) e suas moradoras – mulheres em fase de aleitamento que são transferidas dos presídios para lá.
Essas mulheres ficam com seus recém-nascidos por apenas quatro meses. Depois voltam para o presídio e os filhos são entregues para pessoas da família, orfanatos ou até adotados. O filme de Claudia Priscila acompanha o cotidiano dessas mulheres que, aos poucos, se mostram bem à vontade na frente das câmeras, conversando francamente entre si.
Quando um filme foca assim no coletivo, sempre uma das personagens acaba se destacando, seja pela história de vida, pelo carisma. No caso, é uma mulher conhecida como Daluana, apelido que ganhou por namorar um traficante conhecido como ‘Da lua’. Quando o longa foi feito, ela estava na instituição pela segunda vez. Teve seu primeiro filho aos 14 anos.
Leite e Ferro encontra sua força nas histórias de vida de suas personagens. Todas um tanto parecidas, mas cada uma com sua particularidade. Mostrando que o instinto materno prevalece, não importando onde a mãe esteja.
