A crônica dos amores de juventude, que inspirou alguns dos melhores trabalhos de François Truffaut, continua a frequentar a filmografia de diretores franceses da nova geração. É o caso de Mia Hansen Love, de 30 anos, que completa em Adeus, Primeiro Amor uma trilogia informal em torno das paixões e suas consequências.
Com uma carreira curta, apenas três longas, a diretora já começa a colecionar prêmios. Adeus, Primeiro Amor venceu prêmio especial do júri no Festival de Locarno. Seu filme anterior, O pai dos meus filhos (2008), conquistou outro prêmio especial, este na seção Un Certain Regard do Festival de Cannes.
Uma particularidade neste trabalho é que o ponto de vista é feminino. Enxerga-se a complicada história romântica entre dois adolescentes a partir da visão de Camille (Lola Créton) – que, quando começa sua história com Sullivan (Sebastian Urzendowsky), tem 15 anos e ele 19.
A diferença de idade é pouca, mas o posicionamento diante do mundo é enorme. Enquanto Camille não vê outra razão de viver a não ser essa paixão exacerbada por Sullivan, ele planeja largar os estudos e fazer uma longa viagem com dois amigos pela América do Sul. A iminência desta separação marca a primeira crise do casal, levada em clima de tragédia por Camille. Mas Sullivan não abre mão de seu plano.
Quando ele finalmente parte, Camille é forçada a encarar o primeiro grande drama de sua vida. Depois de um período de depressão, começa a descobrir outros interesses no estudo, não no amor – ainda mais enquanto as cartas de Sullivan se acumulam na caixa de correio, mantendo a relação à distância.
O tempo passa e Camille transformou-se numa entusiasmada estudante de arquitetura. É interessante como a história incorpora a fascinação da moça por espaços e lugares, que também pontuaram sua relação com o primeiro namorado, agora em outro contexto.
Camille envolve-se com um professor, Lorenz (Magne Havard Brekke), nuym relacionamento marcado por uma atmosfera tranquila, totalmente diferente de sua experiência anterior.
O filme cresce em intensidade dramática num momento em que Camille enfrenta novamente os sentimentos do passado, que entram em choque com seu presente organizado e mais sereno.
Um contraste interessante, que o roteiro poderia ter explorado um pouco melhor, é a intervenção dos pais de Camille (Valérie Bonneton, Serge Renko), que vão viver sua própria separação. A mãe dela, aliás, é um dos poucos alívios realmente cômicos, numa história um pouco autocentrada demais. Falta um toque da leveza de Truffaut.
Na trilha sonora, uma presença sul-americana com o uso de duas famosas canções da chilena Violeta Parra, Volver a los 17 e Gracias a la vida.
