A protagonista é Yumiko (Makiko Esumi), moça que teve duas experiências traumáticas com a morte de entes queridos. Quando criança, experimentou um agudo sentimento de perda quando a avó decidiu voltar à aldeia natal e acabou morrendo lá - uma situação que a menina não compreendeu bem e que acabou produzindo nela um difuso sentimento de culpa. Na vida adulta, ela conhece a felicidade ao lado do marido Ikuo (Tadanobu Asano), com quem tem um filhinho, Yuichi. Apesar de não haver no cotidiano do casal nenhuma perturbação aparente, um dia a moça é avisada da morte do marido, num aparente suicídio na linha do trem.
Cinco anos depois, Yumiko resolve refazer sua vida com um novo casamento, agora com o pescador Tamio (Takashi Naito), que também é viúvo e tem uma filha. O casal mantém um relacionamento um pouco distante, mas esse clima melhora aos poucos, especialmente à medida que Yumiko descobre o quanto seu filho e a enteada estão se dando bem.
Todo esse processo de normalização entra em crise novamente quando a moça volta à sua aldeia natal para o casamento da irmã. Lá descobre um intrigante detalhe sobre a última noite de vida do primeiro marido: que ele foi visto num bar e parecia bastante alegre. A dúvida instala-se novamente em seu espírito, abrindo espaço a uma discussão sobre a impossibilidade que há, às vezes, na vida de responder a algumas questões, por mais dilacerantes que possam ser.
Maborosi, o nome original do filme, significa um tipo de luz fantasmagórica que brilha sobre o mar e, não raro, ilude os marinheiros, levando-os à morte. Torna-se, assim, uma metáfora para um tipo de acontecimento inexplicável, para o qual não há alternativa senão a aceitação.
A fotografia do filme, que é um de seus pontos altos, foi justamente premiada com um troféu no Festival de Veneza/95, onde Maborosi recebeu também um prêmio do júri ecumênico. A produção recebeu prêmios também nos festivais de Vancouver e Chicago.
Cineweb-26/7/2002
